Varejo cresce 8% em junho, com recuperação puxada por supermercados

Varejo cresce 8% em junho, com recuperação puxada por supermercados Varejo cresce 8% em junho, com recuperação puxada por supermercados

Varejo cresce 8% em junho. Confira matéria do jornal O Estado de S. Paulo:

RIO – As vendas do varejo cresceram 8% em junho ante o mês anterior, após a alta recorde de 14,4% em maio (dado revisto), divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 12. Passado o choque de março e abril provocado pela crise decorrente da pandemia do novo coronavírus, as vendas do varejo já retornaram ao patamar de fevereiro, antes do agravamento da disseminação da covid-19.

A recuperação ainda não foi homogênea. O avanço está especialmente sustentado pelo segmento de supermercados, que responde por metade do comércio varejista e continuou crescendo durante os meses de pandemia.

Mas a velocidade da retomada das vendas surpreendeu analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast, que estimavam uma alta mediana de 4,90% em junho ante maio. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, o volume vendido subiu 12,6% em junho ante maio.

“O ritmo de recuperação das vendas do varejo veio um pouquinho melhor do que estávamos esperando, mas ainda temos de aguardar. Temos de ser prudentes. A sustentabilidade desse processo depende da manutenção de renda e do mercado de trabalho”, ponderou o economista Lucas Maynard, do banco Santander Brasil.

Mesmo com as duas altas seguidas, o setor fechou o segundo trimestre de 2020 com queda recorde de 7,8% ante o primeiro trimestre do ano. No varejo ampliado, as vendas encolheram 12,1% no mesmo período, também o pior desempenho já visto na pesquisa.

No acumulado de janeiro a junho, o varejo teve queda de 3,1%, o menor resultado semestral desde o segundo semestre de 2016, quando recuou 5,6%.

Em junho, já superaram o patamar pré-pandemia os segmentos de supermercados (8,9%), material de construção (15,6% acima de fevereiro) e móveis e eletrodomésticos (12,9% superior). Por outro lado, as vendas de veículos ainda estão 24,8% abaixo do patamar pré-pandemia, tecidos estão 45,8% aquém; livros e papelaria, 42,2% abaixo; combustíveis, 15,1% abaixo; equipamentos de informática 10,8% aquém; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 5,3% inferior.

A capacidade de adaptação de empresas varejistas para vender seus produtos online ajudou a recuperarem a receita nos meses de maio e junho, assim como o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 aos mais vulneráveis permitiu que as famílias continuassem consumindo, apesar das dificuldades impostas pela pandemia de coronavírus, apontou Cristiano Santos, analista da Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE.

“As pessoas estão passando mais tempo em casa. Essa renda a mais não vira poupança, vira consumo, e acaba se voltando para esse setores”, afirmou Santos, do IBGE. “No caso de material de construção, isso não é indicativo de grandes obras, é consumo para pequenas famílias, de pequenas reformas. A pessoa fica mais tempo em casa, acaba entendendo suas necessidades alteradas de alguma maneira, precisa trocar alguma coisa, algum móvel ou eletrodoméstico, para continuar trabalhando em casa”, justificou.

Para o economista Helcio Takeda, da consultoria Pezco Economics, o avanço do varejo em junho é um bom sinal, que aponta para uma melhora da indústria nos meses seguintes, devido à necessidade de repor estoques. Embora a retomada dos serviços continue lenta, ele avalia que o setor deve ser beneficiado nas áreas de logística e de plataformas digitais – de e-commerce, por exemplo.

“Temos uma recuperação mais forte da atividade, muito por causa do auxílio emergencial, que mais do que compensou na demanda agregada a queda da renda”, disse Takeda, que alerta, contudo, para o risco de que a retirada do auxílio emergencial prejudique a demanda, em um ambiente de mercado de trabalho ainda sem recuperação rápida.

Na comparação com junho de 2019, as vendas do varejo tiveram alta de 0,5% em junho de 2020, mas apenas quatro das oito atividades pesquisadas registraram crescimento. No varejo ampliado, o volume vendido encolheu 0,9%. / COLABORARAM ALINE BRONZATI E CÍCERO COTRIM