Indústria, varejo e representantes de trabalhadores resolveram subir o tom em Brasília sem dizer uma palavra. A Coalizão Prospera Brasil organiza hoje um “protesto silencioso” na Esplanada dos Ministérios contra o que chama de desigualdade tributária no e-commerce.
O ato é liderado pela Associação Brasileira do Varejo Têxtil e reúne setores que dizem representar mais de 18 milhões de empregos. A principal queixa é a diferença de carga tributária entre empresas nacionais e plataformas estrangeiras, que, mesmo após a chamada “taxa das blusinhas”, ainda operam com vantagem.
A manifestação terá uma camiseta gigante, com 70 por 90 metros, estendida em Brasília com a frase “Se baixar imposto para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro”.
Nos bastidores, o movimento é também um recado político: empresários reclamam da falta de interlocução com o governo e parte do Congresso justamente num momento em que volta à mesa a discussão sobre flexibilizar a tributação de importados.
O setor argumenta que a taxação ajudou a reduzir distorções, impulsionar o varejo e gerar bilhões em arrecadação, além de milhões de empregos.
Publicado no jornal O Globo, 4/5/2026
Imagem: Divulgação
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Indústria, varejo e trabalhadores se uniram hoje em um protesto silencioso na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. O recado é direto: sem isonomia tributária, não há competição justa. O imposto de importação conhecido como “taxa das blusinhas” foi um dos primeiros passos para reduzir a desigualdade entre o mercado estrangeiro e o brasileiro, mas ainda está longe de garantir um equilíbrio efetivo.
Derrubá-la é retrocesso! E o IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) está engajado nesta causa. Enquanto empresas brasileiras enfrentam uma carga que pode chegar a 90% ao longo da cadeia, plataformas internacionais seguem operando com níveis significativamente menores, mesmo após avanços recentes na tributação do e-commerce internacional.
O resultado não é abstrato:
• Risco real para milhões de empregos;
• Perda de arrecadação;
• Desestímulo à produção nacional;
Não se trata de aumentar impostos. Trata-se de equilibrar o jogo.
Se houver redução, que seja para todos. Se houver regra, que seja igual.
Outros países já entenderam isso e adotaram medidas para proteger suas economias e garantir concorrência leal. O Brasil não pode seguir na direção oposta.