Confira o artigo de Marcelo Silva, vice-presidente do Conselho Consultivo do IDV, veiculado no Portal Poder360:
Por Marcelo Silva – Poder360, 1/7/2025
As demonstrações financeiras publicadas de 27 empresas varejistas referentes ao 1º trimestre de 2025 apresentam os seguintes destaques, baseados nas DVA (Demonstrações do Valor Adicionado):
receitas (R$ 134,8 bilhões) – crescimento de 10%. No entanto, os custos de aquisição dos produtos e serviços de frete e energia elétrica cresceram de 13% a 14%.
Dessa forma, o Valor Adicionado Total a Distribuir (R$ 27,9 bilhões) cresceu 5% em relação ao 1º trimestre de 2024, sendo assim distribuído:
pessoal (R$ 11,1 bilhões) – representa 40% do VAD, incremento de 2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior;
impostos federal, estaduais e municipais (R$ 8,0 bilhões) – representam 29% do VAD;
remuneração de capitais de terceiros (R$ 7,8 bilhões) – representa 28% do VAD versus 25% do 1º trimestre do ano anterior (R$ 6,6 bilhões). O aumento decorre da elevação da taxa de juros neste trimestre.
Enquanto as taxas de juros se mantiveram em 12,50% no início do ano anterior, com uma redução para 12,25% em março de 2024, neste ano as taxas já se encontravam no patamar de 13,25%, passando para 14,25% em fevereiro e 14,75% em março.
Os efeitos dessas taxas de juros são extremamente gravosos para os resultados das empresas de varejo que demandam capital de giro significativo para financiar as vendas aos seus consumidores.
remuneração de capitais próprios (R$ 855 milhões) – representa 3% do VAD ou 0,6% do total das receitas. O infográfico abaixo mostra visualmente os efeitos do crescimento dos juros sobre os resultados das empresas:
Trimestre a trimestre, ano a ano, os números evidenciam os efeitos danosos ao varejo brasileiro das altas de juros principalmente a partir do 2º semestre de 2021, em uma crescente até atingir o patamar de 15% em junho de 2025, afetando dramaticamente os resultados das empresas varejistas.
Como o varejo é o final da cadeia de produção até chegar ao consumidor final, todo o sistema produtivo é impactado, das matérias e produtos primários até os produtos finais, afetando a sociedade como um todo.
Todos sabemos que a taxa de juros é parte do sistema econômico (política monetária) que inclui as contas públicas, que vem apresentando deficits fiscais significativos, acarretando, por sua vez, custo financeiro em torno de R$ 1 trilhão à nação brasileira em consequência de uma dívida atualmente impagável.
Urge uma ampla e profunda discussão dos líderes dos poderes públicos, Executivo, Legislativo e Judiciário (presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal), para promover um grande acordo na definição de políticas públicas que abranjam reformas na administração do Estado brasileiro e dos gastos públicos nos níveis federal, estadual e municipal, inclusive da Previdência, que está prestes a atingir também a cifra estratosférica de R$ 1 trilhão.