Confira o artigo de Marcelo Silva, vice-presidente do Conselho Consultivo do IDV, veiculado no Portal Poder360:
Por Marcelo Silva – Poder360, 1/7/2025
As demonstrações financeiras publicadas de 27 empresas varejistas referentes ao 1º trimestre de 2025 apresentam os seguintes destaques, baseados nas DVA (Demonstrações do Valor Adicionado):
Dessa forma, o Valor Adicionado Total a Distribuir (R$ 27,9 bilhões) cresceu 5% em relação ao 1º trimestre de 2024, sendo assim distribuído:


Enquanto as taxas de juros se mantiveram em 12,50% no início do ano anterior, com uma redução para 12,25% em março de 2024, neste ano as taxas já se encontravam no patamar de 13,25%, passando para 14,25% em fevereiro e 14,75% em março.
Os efeitos dessas taxas de juros são extremamente gravosos para os resultados das empresas de varejo que demandam capital de giro significativo para financiar as vendas aos seus consumidores.

Trimestre a trimestre, ano a ano, os números evidenciam os efeitos danosos ao varejo brasileiro das altas de juros principalmente a partir do 2º semestre de 2021, em uma crescente até atingir o patamar de 15% em junho de 2025, afetando dramaticamente os resultados das empresas varejistas.
Como o varejo é o final da cadeia de produção até chegar ao consumidor final, todo o sistema produtivo é impactado, das matérias e produtos primários até os produtos finais, afetando a sociedade como um todo.
Todos sabemos que a taxa de juros é parte do sistema econômico (política monetária) que inclui as contas públicas, que vem apresentando deficits fiscais significativos, acarretando, por sua vez, custo financeiro em torno de R$ 1 trilhão à nação brasileira em consequência de uma dívida atualmente impagável.
Urge uma ampla e profunda discussão dos líderes dos poderes públicos, Executivo, Legislativo e Judiciário (presidentes da República, da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal), para promover um grande acordo na definição de políticas públicas que abranjam reformas na administração do Estado brasileiro e dos gastos públicos nos níveis federal, estadual e municipal, inclusive da Previdência, que está prestes a atingir também a cifra estratosférica de R$ 1 trilhão.
Como está, não é possível continuar!