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27/10/2009 | Agência Estado

Mantega cobra empregos por IPI

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse ontem que até o dia 31 de outubro o governo define se vai ou não prorrogar a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de linha branca adotada em 17 de abril. Naquela data, foi definido que o imposto para geladeiras baixaria de 15% para 5%; máquinas de lavar, de 20% para 10%; fogões, de 5% para zero; e tanquinhos, de 10% para zero.
"Estamos - governo e empresários da linha branca e do varejo - tomando as medidas necessárias para o melhor Natal do varejo dos últimos anos", declarou. "É como Olimpíada e agora estamos na reta final. Queremos que as vendas de outubro, novembro e dezembro avancem e garantam o melhor Natal para os brasileiros." O ministro disse que o governo ainda não tomou nenhuma decisão sobre a possibilidade de prorrogação do IPI. Em encontro com empresários do setor, ele destacou que a diminuição do tributo "foi muito bem-sucedida", pois houve repasse do benefício, pelo menos parcialmente, aos consumidores. Mantega ressaltou que a decisão do governo foi eficiente, pois proporcionou a retomada das vendas do setor afetada pela crise no fim de 2008.

Com bom humor e ressaltando que há grande entrosamento entre governo e empresários, Mantega afirmou que essa parceria é "vitoriosa" e que compreende o papel dos empresários, que sempre pedem para o governo reduzir impostos. "Mas eu também fiz uma cobrancinha que é o aumento das contratações de pessoal, elevação das promoções e mais facilidade de financiamento."
Ele disse que a colaboração é facultativa e ressaltou que ela pode ocorrer por redução de margem de lucro e aumento de investimento.

Mantega esteve reunido em São Paulo com dirigentes de grandes redes varejistas, entre elas Casas Bahia, Magazine Luiza, Ponto Frio, Carrefour e Pão de Açúcar.

VENDAS
A presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV) e também presidente do Magazine Luiza, Luiza Helena Trajano, disse após o encontro que as vendas do setor podem ser "desestimuladas" se o benefício não for prorrogado.

Segundo Luiza Helena, a linha branca representa cerca de 30% das vendas das redes varejistas. Ela destacou que desde o anúncio da medida, em abril, o setor conseguiu retomar as vendas e já prevê que o fim do ano poderá ser "o maior dos últimos anos no Brasil". "Pouco mais de 40% da população tem máquina de lavar. Ainda temos um grande mercado para atingir", disse. A executiva afirmou ainda que o setor aguarda a decisão do governo para poder ampliar as contratações de fim de ano, que crescem entre 10% e 15% no período.

De acordo com o presidente da Eletros, Lourival Kiçula, desde o anúncio da medida, a produção da linha branca superou a previsão do setor em dois milhões de unidades. "Nossa expectativa era vender oito milhões (de unidades), mas já superamos esse número", afirma. Kiçula avaliou também que poderá ocorrer queda no emprego, caso a renovação do IPI reduzido não ocorra.