Desempenho mostra que crise causou desaceleração do crescimento do setor, mas nível de renda foi mantido
De acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada hoje (23) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o varejo brasileiro teve bom desempenho no difícil ano de 2009, com crescimento real nas vendas de 8,9% no varejo ampliado (que incluiu os segmentos de Veículos, motos partes e peças e Material de construção), e de 5,9% no conceito restrito do comércio. Em 2008, tais percentuais alcançaram 9,9% e 9,1% respectivamente.
Segundo os analistas do IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo), a conclusão é de que os efeitos da crise internacional influenciaram o desempenho ao longo do ano, porém, disso não resultou uma queda do volume de vendas, mas, sim, uma desaceleração do crescimento do setor, que até então ascendia vertiginosamente em níveis superiores a 10%.
De acordo com a análise, foram vários os fatores que contribuíram o resultado favorável, como as seguidas campanhas de descontos e promoções oferecidas desde o início de 2009 pelas empresas, e a melhora gradativa das condições do crédito obtida pelas empresas do varejo junto às instituições de financiamento do país permitiu que o varejo repassasse para a sua clientela prazos mais amplos e custos menores de financiamento.
Por outro lado, os programas governamentais ajudaram a sustentar os níveis de emprego e renda da população e, em particular, ações de redução de impostos como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para certos bens duráveis contribuíram o dinamismo da demanda de produtos por parte da população.
Já a avaliação setorial mostrou padrões distintos de desempenho varejista em 2009, apontando ainda que o segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo ostentou desempenho relativamente superior ao ano de 2008 - aumento real de vendas de 8,3%, contra 5,4% -, numa indicação de que o setor não foi atingido pela situação adversa da economia e que o nível de renda da coletividade brasileira foi mantido no ano passado, permitindo assim a elevação real de seu consumo de produtos básicos.
Outros setores que mantiveram níveis favoráveis foram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com crescimento de 11,8% - mais baixo 13,9% de 2008 -, porém ainda alto; Livros, jornais, revistas e papelaria - com variações reais de 12% (2008) e 9,6% (2009); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (variações de 8,4% e 15,6%); e Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, cujo desempenho excepcional de 2008 (aumento das vendas reais de 33,%) não foi repetido em 2009, quando, no entanto, a evolução manteve-se em nível elevado (+10,6%).
Certos segmentos conseguiram manter taxa positivas de evolução em 2009, porém, baixas, como no caso de Combustíveis e lubrificantes (0,8% em 2009, contra 9,3% em 2008); e Móveis e eletrodomésticos (2,1% em 2009, contra 7,7% em 2008) que vinha acumulando declínios desde o final do ano anterior em função da retração do crédito, mas que iniciou modesta recuperação após a reativação dos financiamentos ao consumidor e reduções de impostos para linha branca (estendida para móveis no final do ano).
Um quarto e último grupo reúne os segmentos onde não foi possível evitar um declínio das vendas reais. Nele estão Material de construção, que teve retração de 5,9% em 2009, contra aumento de 7,8% em 2008; e Tecidos, vestuário e calçados, com queda de vendas reais de 2,8% em 2009 e contra aumento de 4,9% no ano anterior.
Nesses dois últimos setores, contudo, o aumento real no último trimestre de 2009 com relação ao mesmo período de 2008 chegou a 4,7% em Material de construção, e a 5,1% para Tecidos, vestuário e calçados, sinalizando melhoras significativas de desempenho nos meses finais de 2009 e retorno de taxas positivas de crescimento para 2010.
Sobre o IDV
O IDV (Instituto para Desenvolvimento do Varejo) representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados).
Atuante em todo o território nacional, o IDV tem como principal objetivo contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, e o desenvolvimento do varejo ético e formal.
Empresas Associadas ao IDV: Bob´s, C&A, C&C Casa e Construção, Carrefour, Casa Show, Decathlon, DPaschoal, Drogasil, Droga Raia, Fnac, Grupo Dimed-Panvel, Grupo Pão de Açúcar, Insinuante, Itapuã Calçados, Kalunga, Leo Madeiras, Leroy Merlin, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Lojas Cem, Lojas Leader, Lojas Renner, Lojas Riachuelo, Lojas Marisa, Magazine Luiza, mmartan, O Boticário, Pernambucanas, Ponto Frio, Quero-Quero Casa e Construção, Ráscal, Telhanorte, Tok&Stok, Wal-Mart e Gouvêa de Souza&MD.