Avanços e recuos em janeiro
O crédito em janeiro na economia brasileira totalizou R$ 1,4 trilhões, um valor que representa um acréscimo com relação a dezembro de 0,7%. Ou seja, o primeiro mês do ano dá indicação que a evolução do crédito no país segue um padrão de crescimento tão expressivo quanto nos meses finais de 2009. Com relação a janeiro do ano passado, o estoque de crédito teve em janeiro de 2010 uma alta real de 10,6%. É provável que até o final do ano a taxa relativa à janeiro se amplie. Há previsões no mercado financeiro de aumento de 15% do crédito em termos reais no corrente ano.
Esse é o lado positivo dos dados que o Banco Central divulgou hoje sobre o crédito no Brasil. O lado negativo reside no fato de que as taxas de juros tiveram aumento no mês de janeiro com relação a dezembro. Como se sabe, as taxa finais do crédito na economia brasileira são extremamente elevadas, o que não justifica uma interrupção das reduções de taxas de juros que vinham ocorrendo no ano passado. A taxa média do crédito para pessoas físicas foi de 43% ao ano em janeiro, 0,3 pontos percentuais acima da taxa correspondente a dezembro. Também se elevou a taxa de juros para os empréstimos para pessoas jurídicas. Nesse caso, o aumento foi maior, de 1 ponto percentual com relação a dezembro, alçando 26,5% ao ano.
No que diz respeito à inadimplência esta se manteve praticamente nos mesmos níveis de 2009, seja no caso do crédito para pessoas jurídicas (3,8%), seja no caso de pessoas físicas (7,7%). Esse resultado permite afirmar que o aumento da taxa de juros verificado em janeiro não decorreu de um maior risco bancário nas operações de crédito.
Resultados Gerais. O volume de crédito total, disponibilizado na forma de recursos livres e direcionados, foi de R$ 1.442,4 bilhões no mês de janeiro. Esse montante representou uma alta real de 10,6% em comparação a janeiro de 2009, maior que a variação registrada em dezembro passado (10,3%). Entre as operações de crédito referencias para taxa de juros, a maior expansão do volume de crédito frente janeiro de 2009 foi observada no crédito a pessoa física (crescimento real de 13,3%, atingindo R$ 325,3 bilhões). Por sua vez, o crédito à pessoa jurídica atingiu R$ 396,8 bilhões, registrando queda real de -1,4%. Segundo o Banco Central, a evolução positiva do crédito a pessoa física deveu-se a fatores sazonais como despesas típicas do início do ano.
Setorialmente, ao comércio foram destinados R$ 135,8 bilhões, o que representou uma variação real anual de 5,8%, melhor resultado desde maio de 2009 (7,0%). Quando comparado ao mesmo mês do ano anterior, verifica-se retração real de 0,9%, apresentou uma leve desaceleração em relação a queda de dezembro de 2009 (-1,4%).
Taxa de Juros. No primeiro mês de 2010, a taxa de juros média nas operações com recursos livres no sistema de crédito nacional foi de 35,1% a.a., uma alta de 0,8 p.p. com relação ao mês anterior e decréscimo de 7,3 p.p. frente a janeiro de 2009. O spread bancário nesse mesmo mês ficou em 25,1%, um avanço de 0,7 p.p. contra dezembro de 2009 e recuo de 5,4 p.p. com respeito ao spread equivalente ao mesmo mês do ano passado. Finalmente, a taxa de captação manteve-se estável em janeiro: nesse mês, a variação foi positiva em 0,1 p.p. contra dezembro e negativa em 1,9 p.p. em relação a janeiro de 2009.
A taxa cobrada nos empréstimos à pessoas físicas chegou a 43,0% a.a., após subir 0,3 p.p. em relação a dezembro passado. No mesmo sentido, a taxa de juros incidida sobre os empréstimos a pessoas jurídicas chegou a 26,5% a.a., acréscimo de 1,0 p.p. frente a dezembro. Apesar dos avanços em relação ao mês anterior, as taxas de juros aplicadas em janeiro, quando comparadas a janeiro de 2009, apresentaram recuos: de 12,0 p.p. para pessoa física e 4,5 p.p. para pessoa jurídica. Quanto às modalidades de crédito para pessoa física, o cheque especial foi a modalidade que registrou maior aumento (2,0 p.p.), seguida de crédito pessoal (0,4 p.p.). Por outro lado, aquisição de outros bens, fechou o mês em 51,7% (queda de 3,1 p.p.), além do recuo de 0,2 p.p. da taxa sobre aquisição de bens - veículos (25,2%).
Inadimplência. A inadimplência relativa ao crédito referencial em janeiro de 2010, considerando os atrasos maiores que 90 dias, foi de 5,5%, o que acusou uma relativa estabilidade em relação ao mês anterior (-0,1 p.p.) e um acréscimo 0,9 p.p. em relação a janeiro passado. A inadimplência relativa a pessoa jurídica foi de 3,8%, mesmo resultado do mês anterior, enquanto que a inadimplência relativa a pessoa física foi de 7,7%, apresentando queda de 0,1 p.p.
Saldo de Operações de Crédito - Taxa de Crescimento
Real em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior - %
Taxa de Juros nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Prazo Médio Dias Corridos nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Inadimplência - Pessoa Física - % (Percentual do saldo em atraso superior a noventa dias)

Fonte:
BCB - Banco Central do Brasil