Os resultados da evolução do crédito para o último trimestre de 2009 dão indicações relevantes a respeito de como deve se comportar o crédito no país no corrente ano. No ano como um todo de 2009 o saldo do crédito teve aumento de 9,4%. O índice relativo às pessoas físicas foi muito maior, 19,4%, e o referente às pessoas jurídicas, 1,2%. Esses percentuais mostram com clareza de onde veio o estímulo para retomada do crédito após um impacto inicial muito adverso causado pela crise internacional nos meses finais de 2008 e meses iniciais de 2009.
O dinamismo teve origem no crédito para as famílias, o que colaborou muito para a rápida recuperação do comércio varejista no país. Não há sinal de que esse ímpeto do crédito para as pessoas físicas tenha sido reduzido nos meses finais de 2009. No último trimestre o saldo de empréstimos para as famílias evoluiu 4,3% em termos nominais. A novidade dos meses finais de 2009 está no lado dos financiamentos para as empresas, onde a evolução foi de 2,5%. Se considerarmos somente os financiamentos com recursos domésticos (ou seja, excluindo-se os financiamentos com recursos externos), esta evolução alcança 4,8% em termos nominais, denotando um dinamismo nos financiamentos empresariais até mesmo superior com relação ao crédito para as famílias.
Portanto, uma tendência relevante que deve prevalecer no ano de 2010 é a de que seja mantido o dinamismo do crédito para as famílias em conjugação com uma evolução possivelmente mais expressiva do crédito para as empresas. Nesse processo de recuperação do crédito empresarial, as empresas comerciais tenderão a reduzir a enorme carência de crédito com que tiveram que lidar ao longo de 2009, um processo que só mostraria alguma melhora no trimestre final do ano.
Em termos do custo do crédito, o ano de 2009 registrou uma expressiva evolução, notadamente no que diz respeito aos financiamentos para as pessoas físicas. Comparado com dezembro de 2008, o custo médio do crédito em dezembro de 2009 foi de 42,7% ao ano, uma taxa inferior em 15,2 pontos percentuais relativamente à taxa de 57,9% referente a dezembro de 2008. É possível, todavia, que o processo de redução da taxa de juros para as pessoas físicas tenha perdido velocidade no último trimestre do ano passado. De fato, tomando-se o mês de setembro de 2009 como base, em dezembro a taxa de juros foi inferior em apenas 0,9 pontos percentuais. Como a taxa de juros, a despeito de ter sido reduzida, conserva-se ainda muito elevada, a recomendação é que o governo não poupe esforços em ações que venham a beneficiar quedas adicionais do custo do crédito em 2010. Isso beneficiará a evolução do comércio e da economia brasileira.
No caso do custo dos financiamentos para as pessoas jurídicas, houve também uma redução na comparação da taxa média de dezembro de 2009 (25,5% ao ano) com a taxa de dezembro de 2008 (30,7% ao ano), sendo, porém relativamente pequena a queda, de apenas 5,2 pontos percentuais. Isso significa dizer que o aumento das taxas de juros cobradas nos financiamentos às empresas devido à crise internacional foi apenas parcialmente neutralizado ao longo de 2009. Espera-se uma redução expressiva do custo médio dos financiamentos empresariais ao longo de 2010.
Quanto à inadimplência, os dados para 2009 revelam que no caso de pessoas físicas foi inteiramente revertida uma tendência de aumento da inadimplência que chegou a se apresentar nos primeiros meses daquele ano. De fato, se tomarmos o índice de inadimplência de setembro de 2008 como referência (7,3%), esse índice subiu para 8,6% em junho de 2009. Porém, desde então passou a declinar, de forma que em dezembro alcançava 7,8%. No último trimestre de 2009, o processo de redução da inadimplência entre as famílias parece ter tido maior velocidade, passando de 8,2% em setembro para o percentual já mencionado de 7,8%. A tendência que se apresenta para 2010 para a inadimplência nesse caso é de queda, o que deve reforçar a perspectiva de aumento do crédito para as famílias e favorecer a redução da taxa de juros.
No caso dos financiamentos empresariais, a inadimplência também aumentou em razão das adversidades do quadro econômico internacional, passando de 1,6% em setembro de 2008 para cerca de 4% em meados de 2009. A diferença com relação ao crédito para as pessoas físicas, é que no crédito para as empresas esse índice de inadimplência praticamente não regrediu no segundo semestre de 2009, só esboçando um sinal de redução no último trimestre quando passou de 4% para 3,8%. Em um processo mais lento do que no caso do crédito para as pessoas físicas, a tendência para 2010 da taxa de inadimplência nos financiamentos empresariais é também de queda ao longo de 2010, o que, igualmente, favorecerá o aumento do crédito acompanhado de redução do seu custo.
Resultados Gerais. De acordo com dados divulgados pelo Banco Central, em dezembro o volume total de crédito, que inclui as operações com recursos livres e direcionados, foi de R$ 1.410,3 bilhões (45,0% do PIB), contra R$ 1.388,3 bilhões em novembro (45,1% do PIB). O montante de dezembro registrou uma variação anual real de 10,2%.
Taxa de Juros. No último mês de 2009, a taxa de juros média sobre as operações de crédito (média de Pessoas Físicas e Jurídicas) apresentou um recuo frente novembro de 0,6 p.p., ficando em 34,3% a.a., sendo a menor taxa desde dezembro de 2007. Em comparação a dezembro de 2008, verificou-se recuo de 9,0 p.p.
Na categoria Pessoa Jurídica a taxa de dezembro foi de 25,5% a.a., com redução de 0,5 p.p. frente novembro e de 5,2 p.p. contra mesmo mês de 2008. A categoria de Pessoa Física apresentou recuo de 0,3 p.p. frente mês anterior e de 15,2 p.p. frente dezembro 2008, ao fechar o ano em 42,7% a.a.
Dentro do crédito à Pessoa Física, a única categoria que apresentou menor patamar que em novembro foi o Cheque Especial, com recuo de 4,2 p.p. fechando o mês em 159,1% ao ano. A taxa de juros sobre Aquisição de veículos ficou praticamente estável em dezembro (cresceu apenas 0,1 p.p. ficando em 25,4%), enquanto Crédito Pessoal (alta de 0,8 p.p., ficando em 44,4% a.a.) e Aquisição de outros bens (alta de 3,0 p.p. frente novembro, terminando 2009 em 54,8% a.a.) foram os segmentos a apresentar taxas mais elevadas em dezembro. Por outro lado, frente ao mesmo mês de 2008, as taxas foram significativamente menores. A maior queda ocorreu em Aquisição de bens - outros, com recuo de 19,2 p.p., seguida do Crédito Pessoal (-16,0 p.p.), Cheque Especial (-15,8 p.p.) e Aquisição de bens - veículos (-11,1 p.p.).
Inadimplência. Em dezembro, a inadimplência total (Pessoa Física e Jurídica), dada pela participação das operações com atrasos superiores a noventa dias, assinalou recuo de 0,2 p.p. frente novembro, ficando em 5,6%. No ano, a alta foi de 1,2 p.p. A inadimplência para Pessoa Física fechou 2009 em 7,8%, com queda de 0,3 p.p. frente novembro e de 0,2 p.p contra mesmo mês de 2008. Já a inadimplência para Pessoa Jurídica, que ficou em 3,8%, teve decréscimo em relação a novembro de 0,1 p.p. e avanço de 2,0 p.p contra o último mês de 2008.
Saldo de Operações de Crédito - Taxa de Crescimento
Real em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior - %
Taxa de Juros nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Prazo Médio Dias Corridos nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Taxa de Inadimplência nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %
