Os dados divulgados hoje pelo Banco Central referentes a novembro desse ano permitem traçar um panorama do crédito no Brasil no ano de 2009. Na maioria dos meses desse ano o crédito foi escasso e caro em demasia, mas nos meses finais a situação foi se alterando de forma significativa, de modo que já são claros os sinais de retomada dos financiamentos para as pessoas físicas e jurídicas, neste último caso com algum atraso com relação ao primeiro. Em outras palavras, o ano que se iniciou com o crédito difícil, se encerra com uma situação mais favorável quanto ao acesso de recursos por parte das pessoas e das empresas.
Em novembro o saldo do crédito atingiu R$ 1.388 bilhões, o equivalente a 44,9% do PIB. Em comparação com o mesmo mês de 2008, este percentual representa um avanço significativo, ou seja, +6 pontos percentuais, o que deve ser sublinhado em razão das dificuldades que a crise internacional determinou para a evolução do crédito no país. É digno de registro o fato de que a liderança da evolução dos financiamentos em 2009 foi do crédito para as pessoas físicas. Considerando os empréstimos dos bancos com recursos livres, o aumento nesse caso ao longo de 2009 até novembro foi de 17,9% em termos nominais, o que representa uma elevação muito significativa em termos reais já que a inflação no mesmo período está por volta de 4,3%. No caso das pessoas jurídicas, o crédito dos bancos com recursos livres também avançou em 2009, mas o crescimento foi ínfimo, de apenas 0,9%.
Esse quadro de grande preponderância da retomada do crédito das pessoas físicas foi importante para uma atividade como a do varejo, porque contribuiu para um bom ritmo de crescimento do poder de compra da população. Juntamente com a relativa preservação do emprego, o crédito amparou um bom crescimento do setor varejista. É muito importante assinalar que nos últimos meses a liderança da evolução do financiamento no Brasil transitou das famílias para as empresas. Se considerarmos o mês de novembro, a evolução nominal do crédito para as empresas em um percentual como 1,5%, já supera o crescimento dos financiamentos para as pessoas físicas, (1,3%).
No quadro de recuperação recente dos empréstimos para as empresas, o setor de comércio (englobando empresas atacadistas e varejistas) vem sendo um dos mais favorecidos, recuperando em parte a grande retração dos financiamentos para o setor ocorrida nos três primeiros trimestres do ano. Para as empresas comerciais, os dados do Banco Central mostram uma evolução do saldo de financiamentos de 2,5% em novembro e de 7,4% nos três meses de setembro, outubro e novembro. Praticamente veio desse trimestre toda a evolução do crédito para o setor em 2009. Nesse ano até novembro o crédito para atividade de comércio aumentou 7,3% em termos nominais. A retomada do crédito para o comércio é uma das características mais relevantes da evolução do crédito no país nos últimos meses de 2009.
De resto, o final de 2009 também registra o recuo da inadimplência e das taxas de juros, o que favorece a perspectiva de que o crédito em 2010 manterá em linhas gerais o dinamismo apresentado na segunda metade de 2009. É fato que as taxas dos financiamentos ainda são muito elevadas no país e que, por isso precisam cair de forma considerável. Contudo, considerando-se um momento de maior diversidade, como o mês de novembro de 2008, é possível constatar uma redução significativa das taxas de juros notadamente para as pessoas físicas. Neste caso, a taxa média de novembro de 2009 de 43% ao ano foi 15 pontos percentuais inferior à taxa de 58,3%, correspondente a novembro de 2008. Para as empresas, o custo do crédito também retrocedeu, em magnitude menor. Em média, era de 31,4% ao ano em novembro de 2008, passando para 26% em novembro último.
Outros Resultados
Taxa de Juros. No penúltimo mês de 2009, a taxa de juros média incidida nas operações com recursos livres no sistema de crédito nacional foi de 34,9% a.a., um recuo de 0,7 p.p. com relação ao mês anterior e de 5,4 p.p. frente a novembro de 2008. O spread bancário nesse mesmo mês ficou em 25,1%, uma queda de 0,9 p.p. contra outubro e 5,1 p.p. com respeito ao spread equivalente ao mesmo mês do ano passado. Cabe salientar que a taxa de juros total de novembro foi a menor vista desde o início da série histórica, em 2002.
A taxa cobrada nos empréstimos às pessoas físicas chegou a 43,0% a.a., após cair 1,2 p.p. em relação a outubro. No mesmo sentido, a taxa de juros dos empréstimos a pessoas jurídicas chegou a 26,0% a.a., decréscimo de 0,5 p.p. frente ao mês anterior. Frente o mesmo mês do ano passado, o destaque foi da categoria pessoas físicas, que apresentou um recuo de 15,3 p.p. Para as operações pré-fixadas, podemos destacar o comportamento do crédito pessoal que chegou a 43,6% a.a., recuo de 2,1 p.p. frente outubro e 17,0 p.p. contra novembr-08 e, por outro lado, Cheque especial (163,3% a.a.), que apesar do recuo de 11,5 p.p. em relação ao mesmo mês de 2008, assinalou incremento de 3,3 p.p. frente outubro.
Inadimplência. A inadimplência relativa ao crédito referencial em novembro de 2009, considerando os atrasos superiores a 90 dias, foi de 5,8%, o estável frente o mês anterior e 1,6 p.p. maior que novembro de 2008. A inadimplência relativa a pessoa jurídica foi de 3,9%, recuando 0,1 p.p. frente ao mês anterior, enquanto que a inadimplência relativa a pessoa física foi de 8,1%, no menor nível desde dezembro de 2009 (8,0%).
Saldo de Operações de Crédito - Taxa de Crescimento
Real em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior - %
Taxa de Juros nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Prazo Médio Dias Corridos nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Inadimplência - Pessoa Física - % (Percentual do saldo em atraso superior a noventa dias)
