O volume de crédito total no Brasil atingiu R$ 1.327 milhões em agosto, segundo a pesquisa do Banco Central. Esse valor representa 19,5% de crescimento com relação a agosto do ano passado ou o equivalente a 14,5% de variação, sendo excluída a inflação. Com relação ao PIB o volume de crédito no país chega a 45,2%, sendo importante observar que em agosto do ano passado essa relação era de 36,7%.
Esses números mostram que mesmo diante de uma situação internacional adversa o sistema de crédito brasileiro não deixou de crescer. Isso não significa dizer que para alguns setores a desaceleração do crédito nos meses finais de 2008 e no primeiro trimestre de 2009 não tenha sido muito significativa, gerando problemas para as empresas e consumidores.
Dentre os setores mais afetados negativamente destaca-se o de comércio que apenas recentemente vem apresentando sinal de recuperação do volume de crédito. Assim, enquanto o total geral do crédito brasileiro aumentava 19,5% na comparação de agosto de 2009 com o mesmo mês de 2008, o crédito para o setor comercial evoluiu apenas 5,9% ou o equivalente em termos reais a apenas 1,5%. Melhor que no último trimestre os financiamentos para esse setor tenham evoluído 3,3%, sendo que o acréscimo no mês de agosto com relação a julho foi de 2,1%. Os últimos dados podem estar representando o início de uma recuperação do crédito para o setor mais atingido pela retração dos financiamentos que foi o comércio.
Convém comparar o comportamento do volume de empréstimos ao setor de comércio como, por exemplo, o crédito para pessoas físicas. Nesse caso a variação nominal com relação a agosto do ano passado chegou a 18% ou 13,1% em termos reais. O crédito para as pessoas físicas manteve seu dinamismo no último trimestre, com variação de 3,6%, assim como no mês de agosto quando teve variação de 1,4%. Esse desempenho dos empréstimos para as famílias tem sido uma das condições que refletem o melhor desempenho da economia brasileira nos últimos seis meses. No plano do setor varejista, notadamente no setor de bens duráveis, eletroeletrônicos e veículos esta maior facilidade de crédito vem desempenhando um papel expansionista destacado juntamente com as reduções de impostos.
Uma análise da evolução da inadimplência do crédito para as pessoas físicas mostra que a evolução do crédito poderá ter continuidade. Em termos globais, o crédito em atraso superior a noventa dias nos financiamentos para as pessoas físicas chega a 8,4%. Esse percentual é, sem dúvida, superior ao percentual correspondente ao período anterior ao agravamento das adversidades da economia internacional que viriam a ocorrer após setembro do ano passado. Em agosto de 2008 esse percentual era de 7,5%. Mas, o fato a ser considerado é que desde fevereiro desse ano a taxa de inadimplência não sobe mantendo-se entre 8,3% e 8,4%.
Em algumas modalidades a taxa de inadimplência de pessoas físicas vem sendo declinante nos últimos meses, como no caso do crédito pessoal que desde março até agosto desse ano caiu de 5,8% para 5,4%. Também na aquisição de veículos e na aquisição de outros bens duráveis há uma tendência de queda da inadimplência. No primeiro caso esta chegava a 5,4% em junho desse ano, tendo caído para 5,1%. No segundo, a taxa chegou a alcançar 15,8% em maio, recuando para 14,8% em agosto de 2009.
O único segmento que ainda registra tendência ascendente da taxa de inadimplência é o cheque especial, que no mesmo período, vale dizer de maio a agosto de 2009 aumentou de 10,8% para 11,7%. Cabe notar que esta última modalidade de crédito foi utilizada por pessoas físicas nos momentos de maior adversidade econômica no final do ano passado e início desse ano, razão pela qual, agora a inadimplência é maior.
Sendo confirmada a redução da inadimplência nos financiamentos propriamente ao consumo é de se esperar que o crédito ao consumidor mantenha no final do ano e início de 2010 o movimento de aceleração dos últimos meses. É de se esperar ainda uma redução mais efetiva das ainda muito elevadas taxas de juros que vigoram no crédito para as pessoas físicas.
Outros Resultados
Taxa de Juros. No oitavo mês de 2009, a taxa de juros média sobre as operações com recursos livres no sistema de crédito nacional foi de 35,4% a.a., um recuo de 0,6 p.p. com relação ao mês anterior e de 4,7 p.p. frente a agosto de 2008. O spread bancário nesse mesmo mês ficou em 26,7%, uma queda de 0,5 p.p. contra julho e aumento de 0,1 p.p. com respeito ao spread equivalente ao mesmo mês do ano passado.
A taxa cobrada nos empréstimos às pessoas físicas chegou a 44,1% a.a., após cair 0,8 p.p. em relação a julho. No mesmo sentido, a taxa de juros incidida sobre os empréstimos a pessoas jurídicas chegou a 26,4% a.a., decréscimo de 0,3 p.p. frente a julho. Frente o mês imediatamente anterior, apenas Aquisição de outros bens assinalou aumento frente julho (0,5 p.p.), chegando a 54,4% a.a. Nessa comparação, os maiores recuos foram: Cheque Especial (-6,1 p.p.) e Aquisição de veículos (-0,7 p.p.). Cabe salientar que todas as taxas apresentaram retração em comparação a agosto de 2008. Crédito Pessoal foi a modalidade que registrou em julho queda (-10,2 p.p.) fechando o mês em 44,3%, seguida de Aquisição de bens (-7,1 p.p.), cheque especial (-5,4 p.p.), chegando a 161,0% a.a.
Inadimplência. A inadimplência em agosto de 2009, considerando os atrasos superiores a 90 dias, foi de 5,9%, o que acusou estabilidade em relação ao mês anterior e aumento de 1,7 p.p. em relação a agosto passado. A inadimplência relativa a pessoa jurídica foi de 3,9%, aumentando 0,1 p.p. frente ao mês anterior, enquanto que a inadimplência relativa a pessoa física foi de 8,4%, no menor nível desde abril de 2009 (8,4%).
Saldo de Operações de Crédito - Taxa de Crescimento
Real em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior - %
Taxa de Juros nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Prazo Médio Dias Corridos nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Inadimplência - Pessoa Física - % (Percentual do saldo em atraso superior a noventa dias)
