Conjuntura Crédito, Juros e Inadimplência

CCV

26/08/2009 

Agosto 2009 

A retomada ainda parcial do crédito 

O crédito no Brasil deu sinais de mais um mês de crescimento numa indicação de que pelo menos para o crédito à pessoa física há um processo em curso de recuperação dos níveis anteriores à crise internacional. Em julho o saldo dos financiamentos bancários aumentou 2,6% em termos nominais, alcançando um valor R$ 1.311 bilhões, o equivalente a 45% do PIB. Note-se que no mês anterior a proporção do crédito no PIB brasileiro foi estimada pelo Banco Central em 43,9% e que em julho do ano passado essa proporção era de 36,7% do PIB.

A recuperação do crédito não tem sido um processo uniforme. Dois segmentos vêm despontando com taxas muito mais pronunciadas de evolução. O primeiro deles é o setor de habitação, onde o crédito cresceu 3,8% em julho e acumula até julho um crescimento de 21,6% tomando como base o mês de dezembro do ano passado. Este é um sinal de que o crédito imobiliário não sofreu o impacto da restrição de crédito que outros setores da economia brasileira sofreriam.

Já o crédito concedido para as pessoas físicas excluindo o crédito habitacional, sofreu um impacto negativo devido às dificuldades da economia internacional, porém, vêm ampliando suas operações nos últimos meses de uma forma muito mais significativa do que muitos outros segmentos. O crédito para as pessoas físicas em julho teve seu saldo ampliado em 1,6% e no ano de 2009 até julho tendo por referência o mês de dezembro do ano passado, cresceu 11,9%.

Uma breve comparação com outros setores da economia mostra a dianteira dos dois casos acima mencionados. Na mesma comparação o crédito para a indústria aumentou tão somente 0,4%, para a área rural o crescimento é nulo e para o comércio foi registrada queda de 2,6%. Portanto, ainda é parcial a recuperação do crédito no país. Por enquanto, ela ocorre em segmentos voltados ao financiamento das pessoas físicas, sendo ainda difícil o acesso das empresas ao crédito. Ao longo do presente semestre é possível que ao lado de uma expansão ainda maior dos financiamentos às famílias, se inicie de fato uma reativação do financiamento empresarial.

Condições gerais existem para isso, já que do ponto de vista tanto das pessoas físicas quanto das pessoas jurídicas as taxas de inadimplência e, vêm se mostrando dentro de limites razoáveis. Assim, com relação às empresas, o crédito com atraso superior a 90 dias vem aumentando, porém seu nível pode ser considerado ainda baixo: 3,8% em julho último, contra 1,7% em julho do ano passado. No crédito para as famílias o quadro é mais favorável. A taxa de inadimplência aumentou desde julho do ano passado (7,3%) até maio desse ano (8,6%), mas há três meses se mantém nesse patamar. Estabilização do risco de crédito se traduz em maior oferta de novos financiamentos e menores taxas de juros. É essa a perspectiva para o crédito no Brasil nos próximos meses, o que deve favorecer o desempenho do comércio. 

Resultados Gerais. O volume de crédito total, disponibilizado na forma de recursos livres e direcionados, foi de R$ 1.311,4 bilhões no mês de julho. O volume de crédito com recursos livres atingiu os R$ 903,6 bilhões e as operações para pessoas físicas alcançaram os R$ 442,3 bilhões. O crédito ao setor privado chegou a valor R$ 1.257,4 bilhões e o crédito ao comércio, R$ 121,6 bilhões.

Taxa de Juros. Em julho de 2009, a taxa de juros média das operações com recursos livres no sistema de crédito nacional foi de 36,0% a.a., um recuo de 0,6 p.p. com relação ao mês anterior e de 3,4 p.p. frente a julho de 2008. A taxa cobrada nos empréstimos às pessoas físicas chegou a 44,9% a.a., ao cair 0,7 p.p. em relação a junho. No mesmo sentido, a taxa de juros incidida sobre os empréstimos a pessoas jurídicas foi em média de 26,7% a.a., decréscimo também de 0,7 p.p. frente ao mês anterior.

Quanto às modalidades de crédito para pessoa física, apenas duas das categorias apresentaram recuo frente junho. A aquisição de bens - outros foi a modalidade (53,9% a.a.) que registrou maior queda (1,4 p.p.), seguida de crédito pessoal (-0,8 p.p.), fechando o mês em 44,8%. Cheque especial, por sua vez, assinalou incremento 0,3 p.p., registrando 167,3% ao ano e aquisição de bens - veículos permaneceu estável em 26,9% ao ano. As taxas de juros aplicadas em julho, quando comparadas ao mesmo mês de 2008, apresentaram variações negativas, com exceção de cheque especial (4,6 p.p.), com destaque para: crédito pessoal (-8,8 p.p.) e aquisição de bens - veículos (-6,6 p.p.).

Inadimplência. A inadimplência relativa ao crédito referencial em julho de 2009, considerando os atrasos maiores que 90 dias, foi de 5,9%, o que acusou um acréscimo em relação ao mês anterior de 0,2 p.p. e de 1,7 p.p. em relação a julho passado. A inadimplência relativa a pessoa jurídica foi de 3,8%, aumentando 0,4 p.p. frente ao mês anterior, enquanto que a inadimplência relativa a pessoa física foi de 8,6%, apresentando estabilidade frente a junho. 

 


 

Saldo de Operações de Crédito - Taxa de Crescimento
Real em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior - %

 

 

Taxa de Juros nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

 

Prazo Médio Dias Corridos nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

 

Inadimplência - Pessoa Física - % (Percentual do saldo em atraso superior a noventa dias)


 

Fonte: BCB - Banco Central do Brasil

 

 

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