Os dados hoje divulgados pelo Banco Central para o crédito no Brasil permitem uma avaliação do quadro do financiamento da atividade produtiva no primeiro semestre de 2009. Os dados permitem várias conclusões relevantes:
1. Houve melhora na concessão de crédito ao longo do período, mas isso se deu muito mais do lado do financiamento às pessoas físicas do que entre as pessoas jurídicas. De fato, em junho de 2009 o saldo das operações de crédito atingiu R$ 1.278 bilhões, o equivalente a 43,7% do PIB. Esse valor representa um acréscimo de 4,2% sobre o saldo de dezembro de 2008, mas foi o crédito para pessoas físicas que obteve o maior crescimento: 10,1% no mesmo período.
2. Mesmo no caso das famílias onde a melhora foi, em média, mais acentuada do que no caso das empresas, o quadro de avanço não foi homogêneo. Se de um lado aumentou o crédito nas modalidades de cheque especial, cartão de crédito e crédito pessoal, os financiamentos para a compra de automóveis e outros bens duráveis ainda não recuperaram os níveis anteriores ao período de agravamento da situação econômica internacional desde setembro do ano passado. O crédito pessoal, liderado pelo crédito consignado, teve evolução de 13,4% na comparação de junho de 2009 com dezembro de 2008, mas o crédito para bens de consumo não se recuperou, caindo 1,7% no mesmo período.
3. No crédito para as empresas, o setor destacadamente prejudicado por uma restrição de financiamento que ainda persiste é o setor de comércio, cabendo nesse caso medidas de correção por parte do governo. O comércio que na classificação do Banco Central reúne comércio varejista e atacadista foi o único setor que no primeiro semestre desse ano não mostrou sinais de melhora, com o crédito mantendo tendência de queda. O saldo de seus financiamentos caiu 3,2%.
4. As taxas de juros cobradas nos financiamentos bancários vêm caindo ao longo dos últimos meses, após terem registrado significativa elevação desde setembro do ano passado. Contudo, nesse processo é possível observar que a redução das taxas cobradas no crédito para as pessoas jurídicas tem sido muito mais lenta e de intensidade muito menor do que no crédito para pessoas físicas. Nesse último caso, em termos médios, a taxa de juros de junho foi de 45,6% ao ano, a menor taxa desde dezembro de 2007, mas no caso dos financiamentos para pessoas jurídicas, a queda da taxa média de juros ao longo da primeira metade do corrente ano praticamente foi equivalente à redução promovida pelo governo na taxa básica de juros. A taxa média cobrada no crédito para as empresas referente ao mês em junho, de 27,5% ao ano, é equivalente à taxa de julho de 2008.
5. No caso da taxa média de juros para as pessoas físicas, embora sua queda venha se dando em intensidade maior, seu nível (45,6% ao ano) é ainda excessivamente elevado. Tal taxa implica em dobrar o valor pago por um bem durável comprado a crédito por um período de dois anos por exemplo.
Outros Resultados.
Taxa de Juros. No sexto mês de 2009, a taxa de juros média nas operações com recursos livres no sistema de crédito nacional foi de 36,7% a.a., um recuo de 1,2 p.p. com relação ao mês anterior e de 1,3 p.p. frente a junho de 2008. O spread bancário nesse mesmo mês ficou em 27,2%, uma queda de 0,9 p.p. contra maio e aumento de 2,7 p.p. com respeito ao spread equivalente ao mesmo mês do ano passado. A taxa de captação apresentou em junho variação foi negativa em 0,3 p.p. contra maio e de 4,0 p.p. em relação a junho de 2008.
A taxa cobrada nos empréstimos às pessoas físicas chegou a 45,6% a.a., após cair 1,7 p.p. em relação a maio. No mesmo sentido, a taxa de juros incidida sobre os empréstimos a pessoas jurídicas chegou a 27,5% a.a., decréscimo de 1,0 p.p. frente a maio. Quanto às modalidades de crédito para pessoa física, todas as taxas apresentaram retração. A aquisição de bens - veículos foi a modalidade que registrou maior queda (2,3 p.p.) com taxa de 26,9%, seguida de crédito pessoal (-1,0 p.p.), fechando o mês em 45,6%, cheque especial (-0,8 p.p.), registrando 167,0% ao ano e aquisição de bens - outros (-0,5 p.p.), assinalando percentual de 55,3% ao ano.
O spread bancário incidido sobre as operações a pessoa física situou-se em 35,7%, caindo 1,7 p.p. em relação ao mês anterior, mas crescendo 1,0 p.p. em comparação a junho do ano passado. Em relação à pessoa jurídica, o spread bancário teve queda de 0,4 p.p. frente ao mês anterior e crescimento de 4,4 p.p. na comparação com o mesmo mês de 2008, a fechar o mês de fevereiro com uma taxa igual a 18,3%.
Inadimplência. A inadimplência relativa ao mês de junho de 2009, considerando os atrasos maiores que 90 dias, foi de 5,7%, o que acusou um acréscimo em relação ao mês anterior de 0,2 p.p. e de 1,7 p.p. em relação a junho passado. A inadimplência relativa a pessoa jurídica foi de 3,4%, aumentando 0,2 p.p. frente ao mês anterior, enquanto que a inadimplência relativa a pessoa física foi de 8,6%, apresentando estabilidade frente a maio.
Saldo de Operações de Crédito - Taxa de Crescimento
Real em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior - %
Taxa de Juros nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Prazo Médio Dias Corridos nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Inadimplência - Pessoa Física - % (Percentual do saldo em atraso superior a noventa dias)
