Segundo divulgou hoje o Banco Central, o sistema financeiro brasileiro acumulou um volume de crédito em maio no valor de R$ 1.259 bilhões. Esse montante corresponde a um aumento de 0,8% sobre o mês anterior e de 2,6% sobre dezembro de 2008. Com relação ao PIB, o volume de crédito em maio correspondeu a 43%, um pouco maior do que os 42,8% do PIB em abril. Cabe salientar que esse percentual era de 36,1% em maio do ano passado.
Esses números revelam que em maio o crédito no país evoluiu a uma taxa razoável, o que pode ser um início de redução da restrição creditícia que se abateu sobre a economia brasileira nos último trimestre do ano passado e primeiro trimestre desse ano. Não se pode dizer que o crédito retornou ao nível anterior à retração ocasionada pela fase adversa da economia mundial, já que para as empresas a obtenção de financiamento continua difícil, sobretudo para as empresas de menor porte.
Exemplificando, no caso do crédito para a atividade comercial (incluindo o varejo e o comércio atacadista) o saldo dos financiamentos teve uma melhora em maio, aumentando 0,5% com relação a abril. Mas, a evolução nesse ano até maio considerando como base o mês de dezembro de 2008, ainda é negativo em 3,5%. Portanto, o que se pode afirmar para o crédito dirigido às empresas é que o mês de maio passou a apresentar um sinal de melhora, em um quadro geral que ainda é de restrição, principalmente, como já foi observado, para as micros e pequenas empresas.
O crédito para pessoas físicas teve impulso mais forte em maio. É nesse segmento que se apresenta uma tendência mais clara de evolução do saldo de crédito. Nesse caso o aumento com relação a abril foi de 2,3%, subindo a 8,1% o acréscimo nesse ano tendo por base dezembro do ano passado. Ou seja, há uma inequívoca melhora do crédito para as famílias que parece ter tido uma aceleração nos últimos três meses, com destaque para o mês de maio.
O crédito pessoal vem liderando esse processo, acompanhado do financiamento imobiliário. Por outro lado mostram sinais de retração as modalidades de cheque especial e cartão de crédito que tiveram forte aumento dos meses iniciais do ano. Em processo de crescimento, devendo registrar aumento significativo nos próximos meses, encontra-se o financiamento para bens duráveis.
A melhora do crédito acima retratada foi possível porque a inadimplência, em especial, das pessoas físicas não vem tendo aumento significativo, o que reduz o risco bancário de conceder novos financiamentos. Em maio os créditos com atraso superior a noventa dias correspondiam a 8,6% do total, contra 8,4% em abril.
A característica que ainda distingue o crédito no Brasil é o seu elevadíssimo custo. É um fato que esse custo vem sendo reduzido ao longo da primeira metade de 2009, muito embora tal redução tenha ocorrido de forma muito modesta no financiamento para as empresas, caso em que a taxa de juros média de 30,7% ao ano em dezembro de 2008 caiu, porém, relativamente pouco, para 28,5% ao ano em maio de 2009. No caso de pessoas físicas o custo diminuiu mais expressivamente, de 57,9% ao ano para 47,3% ao ano, no mesmo período. Mas este último nível é ainda muito elevado, o que encarece sobremaneira o custo real para o consumidor de um produto adquirido a prazo e limita o seu poder de consumo.
Em suma, a despeito dos sinais de melhora ainda são pertinentes medidas de política econômica para ampliar a oferta de crédito para as pessoas jurídicas e torná-la mais barata tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas.
Outros resultados
Taxa de Juros. A taxa de juros total incidida nas operações de crédito com recursos livres o mês de abril foi de 37,9% a.a., o que representou um decréscimo de 0,7 p.p. em comparação ao mês imediatamente anterior, e uma alta de 0,3 p.p. frente o mesmo mês de 2008. A taxa de juros referente às operações com pessoas jurídicas fechou o mês em 28,5% a.a., registrou relativa estabilidade frente ao mês imediatamente anterior (-0,3 p.p.) e aumento de 1,6 p.p. frente a maio de 2008. Por outro lado, a taxa de juros sobre pessoa física, ao ficar em 47,3% a.a., recuou 1,5 p.p. em comparação a abril e estabilidade em comparação a maio do ano anterior.
Dentre as modalidades de crédito para a pessoa física, podemos destacar a aquisição de bens - outros, cheque especial e crédito pessoal. A taxa de juros para aquisição de outros bens assinalou o maior recuo frente a abril (4,6 p.p. ficando em 55,8% a.a.) e frente a maio de 2008 (-2,3 p.p.). Em relação as taxas do crédito pessoal, houve diminuição em relação ao mês anterior (-2,2 p.p.) e em comparação com maio do ano passado (-1,8 p.p.), fechando o mês em 46,6% a.a. A modalidade Aquisição de Veículos também apresentou, na passagem entre abril e maio, decréscimo (-0,7 p.p.) ficando em 29,2% a.a., além de ter sido observado um recuo de 1,4 p.p. na comparação com mesmo mês 2008. A taxa que incide sobre o cheque especial, por sua vez, registrou alta de 1,5 p.p. frente ao mês anterior e de 10,7 p.p. em comparação com maio de 2008, atingindo 167,8% ao ano.
Inadimplência. A inadimplência no segmento de crédito referencial, considerando os atrasos superiores há 90 dias, apresentou alta de 0,3 p.p. em relação a abril, chegando a 5,5%. Na comparação com maio de 2008, a ampliação foi de 1,2 p.p. O resultado refletiu o tanto o comportamento no segmento de pessoas jurídicas, que cresceu 0,3 p.p. frente a abril e 1,4 p.p. frente a maio de 2008, quanto o segmento de pessoa física, que registrou alta de 0,2 p.p. da inadimplência em abril frente a abril e de 1,2 p.p. em relação a maio de 2008.
Saldo de Operações de Crédito - Taxa de Crescimento
Real em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior - %
Taxa de Juros nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Prazo Médio Dias Corridos nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Inadimplência - Pessoa Física - % (Percentual do saldo em atraso superior a noventa dias)
