Segundo dados do Banco Central, o estoque total de crédito no Brasil chegou a R$ 1.248,5 bilhões no mês de abril, com uma variação real no ano de 16,2%, a menor expansão verificada desde abril de 2006, quando houve crescimento real de 14,9%. Esse montante representou 42,6% do PIB, praticamente não variando comparativamente aos 42,5% do mês anterior. No crédito com recursos livres dos bancos que alcançou R$ 876 bilhões (elevação real de 14,4%), os empréstimos destinados às pessoas físicas somaram R$ 411,5 bilhões, com acréscimo real de 12,5%. Os financiamentos às pessoas jurídicas cresceram 16,2% em abril frente mesmo mês de 2008, descontada a inflação do período, totalizando R$464,5 bilhões. O setor que vem sendo mais penalizado com a restrição do crédito é o comércio. Nesse caso, o volume total de crédito em abril de R$ 119,4 bilhões, teve variação real de apenas 8,2% frente a abril de 2008. A restrição de crédito ao comércio pode ser ilustrada com a comparação com o volume dos financiamentos ao setor industrial, cujo montante de R$ 299,2 bilhões teve um aumento real de 19,4% comparativamente a abril do ano passado.
Um resultado relevante da pesquisa divulgada hoje pelo Banco Central diz respeito à inadimplência. No mês de março os atrasos superiores a 90 dias para as pessoas físicas já mostravam uma virtual estabilidade após vários meses (desde outubro de 2008) de persistente tendência de elevação. Pois bem, em abril, segundo o Banco Central, a inadimplência caiu. Esse resultado deve ser destacado porque sinaliza que as taxas de juros do crédito podem e devem ceder mais do que vêm ocorrendo, especialmente no que diz respeito ao crédito para o consumidor. Como cabe lembrar, os fortes aumentos dos juros do crédito registrados após o agravamento da crise internacional em setembro do ano passado, foram justificados pelo receio de aumento da inadimplência.
A taxa média de inadimplência nos financiamentos para as pessoas físicas foi de 8,2% em abril, 0,2 pontos percentuais abaixo da taxa para março. O quadro de inadimplência para as empresas é diferente, pois persiste a tendência de aumento. Contudo, vale notar que nesse caso o nível de inadimplência entre as empresas conserva-se muito baixo, correspondendo a 2,9% do total dos financiamentos em abril, contra 2,6% no mês anterior. Ou seja, tanto no caso do crédito para as pessoas físicas, quanto no caso dos financiamentos para pessoas jurídicas, há espaço para o barateamento do crédito no país.
As taxas do crédito caíram em abril, mas em diminuta proporção face à elevada magnitude atual do custo do crédito. Em termos médios, o custo do financiamento passou de 39,2% ao ano para 38,6% a.a. entre março e abril. Praticamente não ocorreu melhora no financiamento para as empresas, onde a taxa de 28,9% ao ano de março foi mantida no mês seguinte (28,8% a.a). Um pequeno avanço foi detectado no financiamento às pessoas físicas, onde a taxa média passou de 50,1% ao ano para 48,8% a.a.. No barateamento do crédito reside uma importante perspectiva de estímulo do comércio varejista e à retomada do crescimento da economia brasileira.
Outros resultados
Taxa de Juros.
Dentre as modalidades de crédito para a pessoa física, podemos destacar os casos de aquisição de bens - outros, cheque especial e crédito pessoal. A taxa de juros para aquisição de outros bens assinalou o maior recuo frente a março (3,4 p.p. ficando em 60,4% a.a.) e registrou acréscimo de 4,0 p.p. frente a abril de 2008. Em relação às taxas do cheque especial, houve diminuição em relação ao mês anterior (2,8 p.p.), porém alta de 13,6 p.p. em comparação a abril do ano passado, fechando o mês em 166,3% a.a. A modalidade crédito pessoal também apresentou decréscimo (de 2,0 p.p.) na passagem de março para abril, ficando em 48,8% a.a., além de ter sido observado um recuo de 1,8 p.p. na comparação com mesmo mês 2008. A taxa que incide sobre a aquisição de veículos, por sua vez, registrou relativa estabilidade tanto frente ao mês anterior quanto em comparação a abril de 2008, atingindo 29,9% ao ano.
O spread bancário registrou pequena queda entre março e abril (-0,3 p.p.), porém assinalou crescimento de 3,2 p.p. na comparação mensal, ao fechar o mês em 28,2 p.p.. Este foi o resultado da retração de 1,3 p.p. nas operações com pessoas físicas e da elevação de 0,3 p.p. na carteira de pessoas jurídicas. A taxa de captação total, que representa o custo de obtenção dos recursos financeiros para os bancos, foi de 10,4% a.a., o que representou uma retração de 0,3 p.p. contra março e de 2,0 p.p. na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior).
Inadimplência.
A inadimplência no segmento de crédito referencial, considerando os atrasos superiores a 90 dias, apresentou alta de 0,2 p.p. em relação a março, chegando a 5,2%. Na comparação abril de 2009 e abril de 2008, a ampliação foi de 1,0 p.p. O resultado refletiu o comportamento no segmento de pessoas jurídicas, que cresceu 0,3 p.p. frente a março e 1,1 p.p. frente a abril de 2008. O segmento de pessoa física, por sua vez, registrou queda em abril frente a março (-0,2 p.p.), enquanto em relação a abril de 2008 cresceu 1,0 p.p.
Saldo de Operações de Crédito - Taxa de Crescimento
Real em Relação ao Mesmo Mês do Ano Anterior - %
Taxa de Juros nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Prazo Médio Dias Corridos nas Operações de Crédito com Recursos Livres - %

Inadimplência - Pessoa Física - % (Percentual do saldo em atraso superior a noventa dias)
