Os dados divulgados hoje pelo IBGE para o varejo brasileiro mostram que o setor teve um excelente desempenho no difícil ano de 2009. O crescimento real das vendas atingiu 5,9% no conceito mais restrito de comércio varejista e 8,9% no conceito ampliado. Esse último inclui os segmentos de Veículos, motos partes e peças e Material de construção. Para efeito de comparação, observe-se que no ano de 2008 o crescimento tinha alcançado 9,1% para o comércio varejista restrito e a expansão do comércio varejista ampliado chegou a 9,9%. Esses números autorizam a conclusão de que os efeitos da crise internacional tiveram de fato influência sobre o desempenho do varejo brasileiro ao longo de 2009, porém, disso não resultou uma queda do volume de vendas, mas, sim, uma desaceleração do crescimento do setor.
Vários fatores contribuíram para esse resultado muito favorável. Do lado das empresas do comércio, estas promoveram seguidas campanhas de descontos e promoções desde o início do ano. Além disso, a melhora gradativa das condições do crédito obtida pelas empresas do varejo junto às instituições de financiamento do país permitiu que o varejo repassasse para a sua clientela prazos mais amplos e custos menores de financiamento. Por outro lado, os programas governamentais ajudaram a sustentar os níveis de emprego e renda da população e, em particular, ações de redução de impostos para certos bens duráveis contribuíram para que a demanda de bens por parte da população mantivesse um bom dinamismo. Como se sabe, o governo cortou impostos na compra de automóveis, bens da "linha branca", material de construção e móveis.
Do ponto de vista setorial podem ser identificados padrões distintos de desempenho varejista em 2009. Um segmento ostentou desempenho superior relativamente ao ano de 2008, numa indicação de que a situação adversa da economia não o atingiu. Trata-se de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que obteve um aumento real de vendas de 8,3%, contra 5,4% em 2008. Esse resultado é indicativo de que o nível de renda da coletividade brasileira foi mantido no ano passado, o que permitiu a elevação real de seu consumo de produtos básicos.
Um segundo grupo é representado por segmentos onde inegavelmente o desempenho em 2009 não repetiu o ano anterior, porém, mantendo-se em um nível muito favorável. São os casos de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com crescimento em 2009 (11,8%) mais baixo do que no ano anterior (13,9%), porém ainda muito alto. Ainda nesse grupo podem ser incluídos os segmentos de Livros, jornais, revistas e papelaria (com variações reais de 9,6% e 12%, respectivamente em 2009 e 2008), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (variações de 8,4% e 15,6%) e mesmo o segmento de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, cujo desempenho excepcional de 2008 (aumento das vendas reais de 33,%) não foi repetido em 2009, quando, no entanto, a evolução manteve-se em nível elevado (+10,6%).
Certos segmentos conseguiram manter taxa positivas de evolução em 2009, porém, muito baixas, casos de Combustíveis e lubrificantes (0,8% em 2009, contra 9,3% em 2008) e Móveis e eletrodomésticos (2,1% em 2009, contra 7,7% em 2008). Esse último caso merece um comentário à parte. O setor vinha acumulando declínios desde o final do ano anterior em função da retração do crédito, mas a reativação dos financiamentos ao consumidor e reduções de impostos para linha branca (estendida para móveis no final do ano) permitiu um início de recuperação, responsável pela taxa positiva, porém modesta, acumulada em 2009.
Um quarto e último grupo reúnem os segmentos onde não foi possível evitar um declínio das vendas reais. Foram os casos de Material de construção que teve retração de 5,9% em 2009, contra aumento de 7,8% em 2008, e Tecidos, vestuário e calçados com queda de vendas reais de 2,8% em 2009 e aumento de 4,9% no ano anterior. Nesses casos, contudo, nos meses finais de 2009 já foram observadas melhoras significativas de desempenho, em uma indicação de que o retorno de taxas positivas de crescimento virá em 2010. O aumento real no último trimestre de 2009 com relação ao mesmo período de 2008 chegou a 4,7% em Material de construção e a 5,1% no caso de Tecidos, vestuário e calçados.
Outros resultados
Setores. Frente o mês imediatamente anterior, em série com ajuste sazonal, das oito atividades do varejo contempladas pela pesquisa, quatro tiveram variações negativas em dezembro: Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-3,4%), Móveis e eletrodomésticos (-3,3%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (ambos com queda de 0,8%). Em lado oposto aparecem: Livros, jornais, revistas e papelaria (1,6%), Combustíveis e lubrificantes (0,7%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação e Tecidos vestuário e calçados (ambos com alta de 0,2%). Das atividades que compõe o comércio varejista ampliado, material de construção obteve o crescimento mais expressivo (3,3%), seguido de veículos e motos, partes e peças (1,6%).
No confronto dezembro 2009/dezembro 2008, todas as atividades do varejo assinalaram aumento nas vendas. Por ordem de importância aparecem: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (9,7%), Móveis e eletrodomésticos (13,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,8%), Tecidos, vestuário e calçados (5,8%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (10,7%), Combustíveis e lubrificantes (5,3%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,7%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (9,3%). No comércio varejista ampliado, podem ser destacados Veículos e motos, partes e peças (28,2%), variação afetada tanto pelos incentivos fiscais do governo quanto pela baixa base de comparação.
Regiões. Regionalmente, os resultados para o volume de vendas na comparação mês/mês anterior na série livre de efeitos sazonais, mostraram 13 variações positivas e 14 variações negativas. Positivamente destacam-se: Tocantins (6,1%), Amapá (5,8%) e Rio Grande do Sul (2,6%). Já as principais quedas foram no Mato Grosso do Sul (-3,9%) Amazonas (-3,6%), Espírito Santo (-2,1%), Paraná (-1,8%), Maranhão (-1,6%) e Paraíba (-1,6%).
Quando comparadas ao mesmo mês de 2008, todas as regiões apresentaram patamar superior para o volume de vendas. As maiores variações ocorreram em Acre (23,4%), Piauí (18,9%), Sergipe (18,7%), Alagoas (17,5%), Rondônia (16,4%) e Roraima (16,3%). Quanto à participação na composição da taxa, os destaques, pela ordem, foram São Paulo (8,4%), Minas Gerais (10,0%), Rio Grande do Sul (11,6%), Rio de Janeiro (6,2%) e Bahia (12,6%).
No acumulado em 2009, em relação à igual período do ano anterior, apenas Tocantins e Espírito Santo tiveram recuo no volume de vendas varejistas (-1,7% e -1,1%, respectivamente). Acima da média nacional de 5,9% encontraram-se: Sergipe e Piauí (ambos com alta de 13,3%), Roraima (11,3%), Rondônia (10,7%), Ceará (9,5%), Alagoas (8,3%), São Paulo (7,3%), Bahia (7,0%), Santa Catarina (6,8%), Amapá (6,3%) e Acre (6,1%).
Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Dezembro/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %
