Conjuntura Conjuntura e Comércio Varejista

Visão do Varejo

14/01/2010 

Janeiro 2010 

A manutenção da tendência de crescimento 

Os dados de novembro divulgados hoje pelo IBGE referentes ao comércio varejista permitem destacar vários aspectos que acompanharam esse setor ao longo de 2009. Primeiramente, o varejo brasileiro não deixou de sofrer o impacto da situação econômica interna adversa derivada da crise internacional. Contudo, esse impacto foi apenas relativo, ou seja, o setor que vinha crescendo a uma taxa muito elevada antes da crise, em níveis superiores a 10%, reduziu sua taxa de evolução, mas não deixou de crescer. No acumulado de 2009 com relação aos meses de janeiro a novembro do ano anterior as vendas reais tiveram evolução de 5,5%, o que denota a relativa preservação do seu dinamismo.

O segundo ponto a ressaltar é que passada a fase mais aguda dos efeitos da situação internacional sobre o Brasil, o varejo está pronto para voltar a ter desempenho em bases semelhantes ao que vinha ostentando no período anterior à crise. Os dados mostram que o volume de vendas do varejo em novembro foi superior em 8,7% a novembro de 2008. Ou seja, o setor já opera com um padrão de crescimento próximo ao que vigorava anteriormente às dificuldades econômicas internacionais.

Certamente, alguns fatores devem ser levados em conta para explicar essa recuperação forte do setor, dentre eles destacando-se a base de comparação relativamente mais fraca correspondente a novembro de 2008 e os incentivos de redução de impostos que o governo concedeu a certos segmentos como, por exemplo, linha branca, móveis, materiais de construção, além da redução de impostos na compra de automóveis.

Os fatores de fundo que explicam o desempenho favorável em 2009 estão relacionados à preservação da renda e emprego da população e ao barateamento e maior oferta de crédito para as pessoas físicas e para as empresas comerciais. O nível ainda muito elevado do custo dos financiamentos para as pessoas jurídicas e, sobretudo, para as famílias é indicativo de que ações de governo no sentido de reduzir esses custos podem ter efeito dinamizador adicional para a atividade varejista em 2010.

Um terceiro ponto a ser destacado é que o setor manteve em novembro de 2009 um elevado crescimento na margem, vale dizer, na comparação entre esse mês e o mês anterior na série com ajuste sazonal. A expansão nesse caso foi de 1,1%. Isso significa dizer que o segmento está preservando uma boa capacidade de crescer adicionalmente ao que vinha evoluindo, um sinal de que seu dinamismo está sendo preservado. Isso dá uma favorável indicação sobre a continuidade de crescimento da atividade varejista em 2010.

Outros Resultados

Resultados Gerais. O volume de vendas do comércio varejista brasileiro continuou a registrar expansão (1,1%) frente ao mês imediatamente anterior na série livre de efeitos sazonais. No comércio varejista ampliado (comércio varejista somado às atividades de Veículos e motocicletas, partes e peças e de Material de construção) também houve acréscimo, 0,6%, após queda de 2,6% em outubro. Nas demais comparações, o comércio também apresentou taxas positivas. Com relação a novembro de 2008, a atividade varejista alcançou expansão de 8,7%. Já o varejo ampliado obteve alta de 16,4%, reflexo do crescimento nas vendas de automóveis e motos (37,1%) principalmente. No acumulado entre janeiro e novembro de 2009 frente ao mesmo período de 2008 e nos últimos 12 meses, houve acréscimo de 5,5% e 5,3%, respectivamente. O comércio varejista ampliado registrou taxas de 6,0% no acumulado do ano e 5,6% nos últimos 12 meses.

Setores. Na passagem de outubro para novembro, dos dez setores do varejo, sete apresentaram avanço. Os destaques foram: Móveis e eletrodomésticos (5,9%), Material de construção (2,7%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,9%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,2%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,0%), Combustíveis e lubrificantes (0,9%) e Veículos e motos, partes e peças (0,5%). As variações negativas ocorreram em Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-1,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%) e Tecidos, vestuário e calçados (-0,3%).

Na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior), todas as atividades do varejo acusaram aumento nas vendas. Por ordem de importância no resultado global, as variações mais significativas foram: Veículos e motos, partes e peças (37,1%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (19,2%), Móveis e eletrodomésticos (13,9%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (12,3%), Livros, jornais, revistas e papelaria (8,8%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (7,2%), Tecidos, vestuário e calçados (4,8%), Material de construção (4,7%) e Combustíveis e lubrificantes (3,0%).
 
No acumulado dos onze primeiros meses de 2009, as maiores variações foram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (12,0%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (11,8%), Livros, jornais, revistas e papelaria (9,6%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,6%) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,2%). Em relação ao comércio varejista ampliado, o crescimento de 6,0% deveu-se a alta de 9,6% de Veículos, Motos, Partes e Peças, já que o setor de Material de Construção assinalou queda de 7,7%.

Regiões. Em novembro frente a outubro na série livre de efeitos sazonais, dezessete das vinte e sete unidades da Federação apresentaram expansão das vendas varejistas. As maiores variações positivas foram: Rondônia (5,7%), Acre (5,1%), Mato Grosso do Sul (4,9%), Roraima (3,5%) e Paraná (3,3%).

Na comparação entre novembro de 2009 e novembro de 2008, todas as localidades registraram variações positivas. Os principais avanços vieram do Acre (16,3%), Rondônia (13,7%), Roraima (13,6%), Sergipe (12,9%) e Alagoas (11,6%).


 

Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Novembro/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Fonte: IBGE - PMC  

 

 

Quem é o IDV

O IDV é o Instituto para Desenvolvimento do Varejo e representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados). O Instituto tem atuação nacional e sua principal bandeira é contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, para o desenvolvimento do varejo ético e formal nacional .

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Visão do Varejo é uma publicação do IDV - Instituto para Desenvolvimento do Varejo.