Conjuntura Conjuntura e Comércio Varejista

Visão do Varejo

15/12/2009 

Dezembro 2009 

Um novo patamar de crescimento 

Os resultados divulgados hoje pelo IBGE, para o comércio varejista brasileiro em outubro, dão indicação de que o setor passa por um generalizado aumento de seu nível de atividade. A variação em volume do varejo neste mês, relativamente a setembro, foi de 1,4%, na série com ajuste sazonal, um índice bem superior aos de setembro (+0,6%) e agosto (+0,7%). Também reflete o momento de aceleração do varejo e o aumento em seu volume em outubro com relação ao mesmo mês do ano passado, que foi de 8,4%. Nos meses anteriores os aumentos tinham sido de 5,1% em setembro e 4,8% em agosto.

A maior evolução do varejo corresponde a uma reunião de fatores positivos, que convém sublinhar. Primeiramente, a renda básica da população brasileira foi preservada mesmo nos momentos mais difíceis que a economia atravessou entre fins do ano passado e início desse ano. Em segundo lugar, o crédito para as famílias já vem crescendo a uma taxa ascendente, graças a uma contínua rebaixa dos índices de inadimplência no crédito para as pessoas físicas. Finalmente, o consumidor brasileiro está mais confiante diante de sua situação atual e da perspectiva que nutre com relação a temas que lhe são de grande importância, como a questão do emprego. Retomada do crédito acompanhada de recomposição do rendimento básico e maior confiança do consumidor se traduz em consumo ampliado. Essa deve ser a tônica do mercado consumidor brasileiro para o final desse ano e início do ano que vem.

Um fator a mais teve importância setorial para a melhora do varejo. Foi a redução de impostos que favoreceu os setores de Móveis e eletrodomésticos e Material de construção, além do conhecido efeito que teve no setor automobilístico. Os dois primeiros setores vinham tendo desempenho francamente negativo no corrente ano até setembro, mas o mês de outubro finalizou com uma melhora expressiva que pode vir a representar uma mudança de rumo. No caso de Móveis e eletrodomésticos, em outubro foi registrado o primeiro aumento que pode ser considerado expressivo ao longo do ano. O segmento ampliou suas vendas em 3,5% com relação a outubro do ano passado, enquanto nos dois meses anteriores apresentava desempenho próximo a zero ou muito baixo: 1,9% em setembro e 0,6% em agosto. Cabe assinalar que o setor no ano ainda acumula desempenho negativo de 0,7%, o que mostra a importância da manutenção pelo governo do incentivo da redução de impostos.

No caso de Material de construção, o impulso do setor vem de forma ainda mais tardia e embrionária. Em outubro último com relação a outubro do ano passado, não se detecta ainda uma variação positiva, pelo contrário, o setor acusa queda de 4,5%. Esse resultado, no entanto, pode ser considerado positivo na medida em que em meses anteriores a queda vinha sendo muito mais pronunciada, com variações de -8,1% em setembro e -6,0% em agosto. Esse pode ser um sinal de que, enfim, esse segmento esteja transitando de um declínio que, no ano de 2009 até outubro chega a -8,9%, para um padrão de crescimento que se espera irá prevalecer ao longo de 2010.

Outros Resultados

Setores. Na série ajustada sazonalmente, apenas uma das dez atividades pesquisadas assinalou recuo no volume de vendas, Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,6%). Em sentido oposto, as principais contribuições positivas foram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (2,5%), Tecidos, vestuário e calçados (1,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (1,8%), Combustíveis e lubrificantes (1,6%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,4%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,4%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,3%), Material de construção (0,8%) e Móveis e eletrodomésticos (0,4%).

Na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior), todas as atividades comerciais apresentaram crescimento, que, por ordem de contribuição, foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (12,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,1%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (11,3%). No acumulado entre janeiro e outubro de 2009, em comparação ao mesmo período de 2008, foi observados apenas dois resultados negativos: Tecidos e vestuário (-5,2%) e Móveis e eletrodomésticos (-0,7%). Já seguindo a taxa global de elevação de 5,1%, os destaques positivos foram: Artigos farmacêuticos (11,8%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (11,3%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,7%).

Comércio Varejista Ampliado. Cabe salientar ainda que o comércio varejista ampliado apresentou recuo de 2,6% em outubro frente a setembro, já descontados os efeitos sazonais, puxado principalmente pela queda da venda de Veículos e motos (-15,8%). No confronto outubro-09/outubro-08, temos uma alta de 11,2%, desta vez com o setor de veículos contribuindo positivamente (20,0%). Entre janeiro e outubro, o comércio varejista ampliado assinalou incremento de 5,1%, com impacto positivo de Veículos e motos (7,5%) e negativo de material de construção (-8,9%).

Regiões. A partir dos dados de volume de vendas dessazonalizados, na comparação outubro-09/outubro-08, verificou-se que das 27 regiões contempladas pela pesquisa, apenas Tocantins apresentou queda (-7,2%). Os principais resultados positivos vieram de Piauí (15,9%), Ceará (13,9%), Sergipe (13,0%), Amazonas (12,1%), Rondônia e Bahia (10,1%).

No acumulado no ano, temos que das 27 regiões pesquisadas apenas 4 apresentaram recuo. Os destaques positivos, por ordem de contribuição, foram: São Paulo (9,6%), Rio de Janeiro (8,1%), Rio Grande do Sul (8,1%), Minas Gerais (5,8%) e Bahia (10,1%). Jás as maiores quedas vieram de Tocantins (-3,0%) e Espírito Santo (-2,6%).


 

Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Outubro/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Fonte: IBGE PMC  

 

 

Quem é o IDV

O IDV é o Instituto para Desenvolvimento do Varejo e representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados). O Instituto tem atuação nacional e sua principal bandeira é contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, para o desenvolvimento do varejo ético e formal nacional .

Empresas Associadas ao IDV

Bob´s, C&A, C&C Casa e Construção, Carrefour, Casa Show, Decathlon, Dimed-Panvel, Droga Raia, Drogasil, DPaschoal, Fnac, Gouvêa de Souza & MD, Grupo Pão de Açúcar, Insinuante, Itapuã Calçados, Kalunga, Leo Madeiras, Leroy Merlin, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Lojas Cem, Lojas Leader, Lojas Renner, Magazine Luiza, Marisa, mmartan, O Boticário, Pernambucanas, Polishop, Quero-Quero Casa e Construção, Ráscal, Riachuelo, Telhanorte, Tok&Stok, Walmart.



Visão do Varejo é uma publicação do IDV - Instituto para Desenvolvimento do Varejo.