O resultado divulgado hoje pelo IBGE para o comércio varejista brasileiro registrou aumento de 0,3% em setembro com relação a agosto de 2009 na série com ajuste sazonal. O percentual em si é menor do que em meses anteriores (+0,5% e +0,6% em agosto desse ano), mas o fato de ser a quinta alta consecutiva e a característica de ter sido um aumento derivado de variações positivas em muitos dos setores pesquisados, autorizam concluir que tratou-se de um bom desempenho do setor como um todo.
Com relação a setembro do ano passado, o varejo nacional opera com o nível real de atividade 5% superior, numa indicação de que deverá apresentar até o final do ano uma taxa de evolução muito significativa, especialmente tendo em vista as dificuldades ocorridas nesse ano na economia mundial e na economia brasileira. No acumulado do ano de 2009, com relação ao período janeiro/setembro de 2008, o crescimento do volume de comércio varejista também foi de 5%.
Convém observar certos traços do resultado do varejo em setembro. Alguns segmentos evoluíram extraordinariamente, como o de Veículos, motos, partes e peças com variação de 9,1% na passagem de agosto para setembro de 2009 e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação com variação de 8,8%. Esses altíssimos percentuais encontram explicação, no primeiro caso, no incentivo de redução de imposto concedido pelo governo na compra de automóveis; no segundo caso, o elevado crescimento ocorre após dois meses anteriores (julho e agosto) de grandes reduções (-5,7% e -5,6%). Portanto, nesse último caso o segmento apenas recuperou parcialmente as reduções de vendas ocorridas anteriormente.
Dois outros setores merecem ser destacados. Móveis e eletrodomésticos teve crescimento em setembro com relação a agosto de 1,8%, após dois meses seguidos de variação positiva (2,4% em julho e 0,8% em agosto). Essa seqüência de índices positivos é indicativa do acerto da medida do governo de redução de impostos na aquisição de produtos da chamada linha branca. O outro destaque é o setor de Tecidos, vestuário e calçados, cujo aumento de 0,9% em setembro sobre agosto pode representar um sinal de recuperação após dois meses de declínios significativos, como julho (-4,4%) e agosto (-2,1%). Cabe observar que esse segmento tem sido um dos que mais sofreram com as adversidades enfrentadas pela economia.
Três segmentos acusaram redução de vendas reais na comparação de setembro com o mês anterior, Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria e Material de construção. No primeiro caso, a queda foi de 0,5% e no segundo de 1,1%. A observação pertinente a ambos os casos é que tais reduções acorrem após significativas e freqüentes variações positivas, o que levou o crescimento desses setores para 9,7% e 11,9% na comparação de setembro de 2009 com setembro de 2008. Em material de construção, o declínio de 1,5% em setembro relativamente a agosto constitui o que avaliamos como sendo o único resultado de fato negativo do varejo brasileiro no mês de setembro. Esse setor acumula resultados ruins em julho (crescimento zero) e agosto (-1,3%). Esse segmento foi o que acusou maior queda na comparação de setembro desse ano com setembro do ano passado: -8,2%. Nesse caso, no entanto, a perspectiva é de que em 2010 prevaleça uma forte reativação.
Outros Resultados
Resultados Gerais. Segundo dados divulgados pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro atingiu mais um resultado positivo, avançando 0,3% com relação ao mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. Esse é o quinto mês consecutivo de altas do comércio varejista. Frente ao mesmo mês do ano anterior, as vendas no varejo ampliaram-se em 5,0%, valor superior a agosto, quando o crescimento foi de 4,7%. Na avaliação trimestral, o 3o trimestre de 2009 registrou um aumento de 0,5% nas vendas em relação ao trimestre terminado em agosto de 2009, na série livre de influências sazonais enquanto que, em relação ao mesmo trimestre de 2008, a variação foi de 5,3%. No ano, as vendas até setembro superaram em 4,7% as realizadas no mesmo período do ano passado. No acumulado dos 12 meses frente a igual período imediatamente anterior, o crescimento do volume de vendas foi de 5,0%. De acordo com o IBGE, o comércio foi favorecido pelo aumento dos rendimentos dos trabalhadores, e no caso específico dos setores de veículos e móveis e eletrodomésticos, pelos incentivos fiscais de isenção do IPI. Por outro lado, o setor de Material de Construção não registrou recuperação, apesar das medidas de incentivo governamentais.
Setores. Na passagem de agosto para setembro, sete dos dez setores com séries ajustadas sazonalmente apresentaram avanço das vendas no varejo. Em ordem decrescente de magnitude de crescimento: Veículos e motos, partes e peças (9,1%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (8,8%), Móveis e eletrodomésticos (1,8%), Livros, jornais, revistas e papelaria (1,4%), Tecidos, vestuário e calçados (0,9%), Combustíveis e lubrificantes (0,5%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,5%). Por outro lado, os setores que registraram queda foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,5%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,1%) e Material de construção (-1,5%).
Na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior), o comércio varejista assinalou crescimento em oito dos setores incluídos na pesquisa, sendo que as maiores variações em importância no resultado global foram provenientes dos ramos de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (9,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,6%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (8,1%), Móveis e eletrodomésticos (1,5%), Livros, jornais, revistas e papelaria (9,7%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (3,2%). As únicas pressões negativas, por sua vez, provieram de Tecidos, vestuário e calçados (-6,6%) e Combustíveis e lubrificantes (-4,3%).
Na comparação com igual trimestre do ano anterior, quatro das dez atividades pesquisadas registraram alta no ritmo de crescimento se fizermos a comparação entre os resultados do segundo e terceiro trimestre de 2009: Livros, jornais, revistas e papelaria (de 3,7% para 10,9%), Móveis e eletrodomésticos (de -5,7% para 0,9%), Tecidos, vestuário e calçados (de -7,1% para -4,8%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (de 11,3% para 12,1%). Exercendo movimento contrário, Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (de 18,2% para 4,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (de 12,3% para 7,3%), Combustíveis e lubrificantes (de 1,4% para -4,2%) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (de 9,6% para 9,4%) diminuíram o ritmo de crescimento.
No acumulado do ano até o mês de setembro, houve queda em quatro ramos em comparação ao mesmo período de 2008. Dentre os setores que apresentaram expansão nas vendas, podemos destacar: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (ambos com alta de 11,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (9,3%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,7%%). Dos setores que acusaram queda nas vendas, o impacto mais significativo veio de Material de Construção (-9,5%).
Regiões. Das 27 Unidades da Federação, o volume das vendas varejistas cresceu em 15 estados na comparação com o mês anterior, na série com ajuste sazonal. As maiores variações positivas estiveram em Rondônia (4,5%), Tocantins (3,6%), Acre (3,2%), Amazonas (1,5%) e Bahia (1,4%). Outros resultados positivos acima da média geral (0,3%) foram os obtidos no Mato Grosso (1,2%); Rio Grande do Sul (1,1%); São Paulo, Espírito Santo e Sergipe (com variação de 0,6%); Alagoas (0,5%) e Distrito Federal e Pará (ambos com 0,4%). Já as maiores quedas se localizaram no Paraná (-2,5%), Maranhão (-2,4%) e Piauí (-1,3%).
Em relação a setembro de 2008, 23 dos 27 estados registraram avanço das vendas varejistas, com destaque para: Piauí (14,0%), Rondônia (10,1%), Sergipe (9,4%), Amazonas e Acre (8,4%), Alagoas (7,3%) e Bahia (7,0%). Em relação à participação na composição da taxa geral do comércio varejista, os destaques foram: São Paulo (6,5%), Rio de Janeiro (5,0%), Minas Gerais (4,4%), Bahia (7,0%) e Santa Catarina (6,7%).
No acumulado dos nove primeiros do ano, novamente quatro localidades registraram queda das vendas do comércio: Espírito Santo (-3,3%), Tocantins (-2,5%), Paraíba (-1,0%) e Distrito Federal (-0,8%). Dentre as maiores taxas de crescimento, podemos citar: Piauí (12,8%), Sergipe (12,5%), Roraima (10,9%), Rondônia (9,2%), Ceará (8,5%) e São Paulo e Alagoas (ambos com variação positiva de 6,4%).
Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Setembro/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %
