Conjuntura Conjuntura e Comércio Varejista

Visão do Varejo

15/10/2009 

Outubro 2009 

A Caminho de um Crescimento de 6% em 2009 

No mês de agosto o comércio varejistas brasileiro mostrou uma vez mais, uma resistência muito pronunciada à etapa de adversidade que a economia mundial e a economia brasileira passaram no último ano. Segundo o IBGE, em termos gerais, o setor aumentou suas vendas em 0,7% com relação a julho na série com ajuste sazonal e teve aumento de 4,7% com relação a agosto de 2008. Nos oito primeiros meses do ano a evolução chega a 4,8%. É possível projetar para o ano de 2009 uma variação do volume de comércio em um percentual bastante favorável, dados os problemas do período.

Nessa trajetória de reativação que o setor vem trilhando cumpre destacar dois segmentos, cada um deles com determinantes próprios para o seu desempenho. O primeiro é o de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, o segmento de maior peso no setor e que pelo quinto mês consecutivo apresenta variação positiva na comparação com o mês anterior com ajuste sazonal (1,4%). Relativamente a agosto do ano passado a variação nesse caso chega a 8,5% um índice inequivocamente muito elevado. Por trás desse resultado está, sobretudo, a preservação relativa do emprego e os acréscimos de renda real da população impulsionados por programas como o Bolsa Família. Em outras palavras, tem sido a preservação dos níveis de emprego e renda da população o determinante desse desempenho.

O segundo destaque, é Móveis e eletrodomésticos, que na comparação com julho teve acréscimo de 0,6%, o quarto consecutivo, o que exprime uma recuperação em curso nesse segmento. Convém observar que esse segmento teve sucessivos declínios desde outubro de 2008 até abril desse ano, refletindo a retração do crédito e a maior cautela do consumidor em contrair dívidas. O cenário foi se alterando à medida em que o crédito para pessoa física foi sendo regularizado. Mas, nesse caso, foi decisiva a ação do governo em reduzir tributos para a "linha branca". Na comparação com agosto do ano passado esse segmento ainda reflete o período de grandes quedas motivadas pelos fatores assinalados acima. A variação foi de 0,6% e no acumulado do ano seu crescimento ainda é negativo em 1,6%, porém denotando uma clara tendência de que em breve retornará ao patamar de taxas positivas.

O governo deveria avaliar com cautela se é o momento de retirar o incentivo de redução tributária na compra de produtos da "linha branca", porque este incentivo ao consumidor ainda é um dos pilares de um processo de recuperação das vendas de Móveis e eletrodomésticos que apenas está se iniciando.

 

Resultados Gerais. Na passagem de julho para agosto, já descontados os efeitos sazonais, o varejo brasileiro apresentou elevação de 0,7%, o quarto resultado positivo consecutivo. No confronto mensal (mês/mesmo mês do ano anterior), a alta foi de 4,7%, após crescimento de 6,0% em julho. No acumulado do ano de 2009 até seu oitavo mês, a variação foi de 4,7%, a mesma registrada em julho. Nos últimos 12 meses, frente a igual período imediatamente anterior, a variação foi de 5,4%, reforçando uma leve desaceleração do comércio varejista iniciada em novembro de 2008.

 

Setores. O indicador dessazonalizado assinalou alta em metade das 10 atividades incluídas na pesquisa. As variações positivas foram registradas nos seguintes setores: Veículos e motos, partes e peças (2,5%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,4%), Material de construção (1,1%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,8%) e Móveis e eletrodomésticos (0,6%). Por outro lado, as pressões negativas vieram de Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,7%), Combustíveis e lubrificantes (-0,7%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-2,0%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,9%).

Na comparação de agosto de 2009 e agosto de 2008, contribuindo para a taxa global de 4,7%, apenas duas das atividades pesquisadas assinalaram retração no volume de vendas: Tecidos, vestuário e calçados (-5,8%), Combustíveis e lubrificantes (-5,1%). Por sua vez, os segmentos que registraram variação positiva, por ordem de importância no resultado global, foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,5%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (14,9%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (7,3%), Móveis e eletrodomésticos (0,6%), Livros, jornais, revistas e papelaria (11,1%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (0,1%).  Em relação ao comércio varejista ampliado (5,5%), a atividade de Veículos, motos, partes e peças apontaram crescimento significativo de 9,4%, após queda de 5,0% em julho, enquanto Material de construção obteve retração de 6,9% (a décima variação negativa consecutiva nesta comparação).

No acumulado entre janeiro e agosto de 2009, quando confrontado com igual período de 2008, três setores registraram quedas: Material de Construção (-9,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-6,1%) e Móveis e eletrodomésticos (-1,6%). Dentre as variações positivas, os setores que mais se destacaram foram: Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (13,3%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (12,5%), Livros, jornais, revistas e papelaria (9,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,0%) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,4%).

 

Regiões. Das 27 regiões contempladas na pesquisa, na relação agosto/julho, com dados dessazonalizados, 19 apresentaram resultado positivo, destacando-se: Paraná (3,0%), Maranhão (2,8%), Rio Grande do Norte (2,6%), Acre (2,0%), Piauí (1,9%), Santa Catarina (1,8%) e Pernambuco (1,6%), enquanto as maiores quedas foram Tocantins (-6,5%) e Alagoas (-2,2%). Na relação mês/mesmo mês do ano anterior, houve quatro resultados negativos: Tocantins (-9,4%), Paraíba (-8,1%), Espírito Santo (-4,0%) e Mato Grosso do Sul (-1,3%). Os destaques positivos foram: Piauí (23,9%), Sergipe (17,5%), Ceará (8,0%), Alagoas (7,4%) e São Paulo (6,0%). Quanto à participação na composição, destacaram-se, pela ordem, São Paulo (6,0%), Rio de Janeiro (5,4%), Paraná (5,3%), Minas Gerais (2,9%) e Bahia (5,9%).

No acumulado dos oito primeiros meses de 2009, frente a igual período de 2008, novamente, quatro estados assinalaram recuo nas vendas do comércio varejista, sendo a maior queda no Espírito Santo (-3,4%). Os principais destaques positivos, por sua vez, foram: Sergipe (12,9%), Piauí (12,7%), Roraima (12,0%), Rondônia e Ceará (ambos com variação de 9,0%) e São Paulo (6,4%). Nos últimos 12 meses frente a igual período anterior, Roraima (12,1%), Rondônia (11,9%), Piauí (11,1%), Sergipe (11,0%), Ceará (8,4%) e São Paulo (7,6%), configuraram as maiores expansões nas vendas.


 

Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Agosto/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Fonte: IBGE - PMC  

 

 

Quem é o IDV

O IDV é o Instituto para Desenvolvimento do Varejo e representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados). O Instituto tem atuação nacional e sua principal bandeira é contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, para o desenvolvimento do varejo ético e formal nacional .

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