A trajetória de crescimento
Os resultados do comércio varejista brasileiro divulgados hoje pelo IBGE dão conta de que em julho houve um crescimento de 0,5% das vendas reais com relação ao mês anterior após o ajuste sazonal. Com relação a julho do ano passado a variação chega a 5,9%, em uma indicação de que a despeito das adversidades, o varejo nacional presentemente opera um nível de atividade que é significativamente superior ao de um ano atrás.
Trata-se, sem dúvida, de um desempenho bastante favorável. Mas, também é muito relevante observar que o crescimento do mês de julho completa uma série de três meses de variações positivas, período no qual o setor acumula elevação real de 2,6%, percentual este que se for anualizado equivalerá a um crescimento superior a 10,0%. Isso não significa dizer que se projeta para o presente ano um crescimento desta ordem. A simulação indica, no entanto, que o crescimento do varejo poderá chegar a 10,0% em sendo mantido para os próximos doze meses o mesmo padrão de desempenho do último trimestre.
O segmento que mais reflete o poder de compra da população derivado de seus rendimentos correntes, vale dizer, Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, manteve a expansão que o vem notabilizando há praticamente um ano. Com relação a junho o crescimento de julho com ajuste sazonal foi de 0,8%, o quarto aumento sucessivo. Cabe sublinhar que esse segmento apresenta uma variação bastante acentuada na comparação de julho desse ano com relação ao mesmo mês do ano passado: 10,1%. Esse é um indicativo de que o Brasil contou com a preservação de seu mercado interno consumidor como instrumento de combate à situação adversa criada pela conjuntura internacional.
Outro destaque é o segmento de móveis e eletrodomésticos, cujo movimento havia sido afetado negativamente pela restrição do crédito ao consumidor, mas que há três meses seguidos vem obtendo taxas positivas de crescimento. Em julho a variação em suas vendas reais foi de 1,9% com relação a junho, acumulando nos últimos três meses uma variação positiva de 6,5%. Isso reflete iniciativas e promoções de cadeias varejistas; espelha ainda o incentivo de redução de impostos concedido pelo governo para certos segmentos de bens duráveis e, por fim, é decorrência da maior oferta de crédito para os consumidores.
Do lado negativo, os segmentos de Tecidos, vestuário e calçados e de Material de construção registraram queda, assim como o setor de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação. Seguindo um padrão de fortes oscilações que vem se apresentando nos últimos meses, em julho houve significativa queda no comércio de Veículos, motos, partes e peças, um segmento que contou com incentivos fiscais e que vem mantendo até agora um desempenho razoável, embora sujeito a flutuações.
Em suma, os indicadores para o comércio varejista de julho mostram que o setor tem uma clara tendência ascendente, embora ainda careça de uma uniformidade de desempenhos entre os seus segmentos. Trajetórias claramente positivas têm sido próprias de Produtos alimentícios e bebidas, Móveis e eletrodomésticos e Artigos farmacêuticos; trajetórias que ainda alternam resultados positivos e negativos são detectadas em Tecidos, vestuário e calçados, Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, Veículos, motos, partes e peças e Material de construção.
A continuidade da ampliação do crédito ao consumo, seu barateamento e uma avaliação criteriosa pelo governo da necessidade de prolongamento da desoneração fiscal para bens duráveis e materiais de construção poderão servir para consolidar a expansão do setor e torná-la mais homogênea.
Setores. Setorialmente, na comparação julho/ junho na série livre dos efeitos sazonais, dos dez setores pesquisados, quatro apresentaram variações positivas: Livros, jornais, revistas e papelaria (4,2%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (3,8%), Móveis e eletrodomésticos (1,9%) e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,8%). Pressionando a taxa global negativamente ficaram: Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,8%), Combustíveis e lubrificantes (-1,3%), Material de construção (-1,3%), Tecidos, vestuário e calçados (-3,9%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,2%) e Veículos e motos, partes e peças (-10,4%).
Na comparação mensal (mês/mesmo mês do ano anterior), seis setores registraram variação positiva nas vendas, sendo que as contribuições por ordem de importância foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (10,1%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (13,4%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (7,9%), Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (9,6%), Livros, jornais, revistas e papelaria (12,1%), Móveis e eletrodomésticos (0,5%), enquanto Tecidos, vestuário e calçados (2,1%) e Combustíveis e lubrificantes (-4,2%) apontaram as duas únicas quedas.
No ano, para a taxa global de 4,7%, três setores contribuíram negativamente: todos os setores contribuíram positivamente, destacando-se: Material de Construção (-10,2%), Tecidos, vestuário e calçados (-6,2%) e Móveis e eletrodomésticos (-1,9%). Pressionando positivamente podemos destacar: Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (15,5%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (12,0%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,3%), Livros, jornais, revistas e papelaria (9,0%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,0%), Veículos, motos, partes e peças (3,7%) e Combustíveis e lubrificantes (3,4%).
Regiões. Na relação julho de 2009/ julho de 2008, com dados dessazonalizados, 19 das 27 regiões apresentaram taxas positivas, destacando-se, ordenadas pela magnitude de variação: Rondônia (4,8%), Sergipe (4,6%), Alagoas (3,9%), Acre (3,5%), Pará (3,4%) e Piauí (2,1%). Por outro lado, os estados a registrarem queda foram: Roraima (-4,7%), Maranhão (-1,8%), Rio Grande do Norte (-1,4%), Tocantins (-1,1%), Paraná e Santa Catarina (ambos com queda de 0,7%), Pernambuco (-0,4%) e Mato Grosso do Sul (-0,1%). Em julho de 2009, frente mesmo mês do ano anterior, 22 das 27 regiões apresentaram elevação das vendas do comércio, que por ordem de contribuição foram: São Paulo (8,0%), Rio de Janeiro (4,6%), Minas Gerais (5,5%), Bahia (8,5%) e Rio Grande do Sul (4,2%). Os decréscimos vieram de: Tocantins (-3,5%), Mato Grosso (-3,2%), Espírito Santo (-2,6%), Mato Grosso do Sul (-1,0%) e Acre (-0,7%).
Na variação acumulada ao longo dos sete primeiros meses de 2009 contra mesmo período do ano anterior, 4 localidades contempladas na pesquisa apresentaram resultado negativo: Espírito Santo (-3,4%), Distrito Federal (-1,7%), Pará (-1,0%) e Tocantins (-0,3%). As maiores altas, por outro lado, foram: Roraima (14,0%), Sergipe (12,2%), Piauí (11,0%), Rondônia (10,1%), Ceará (9,2%) e São Paulo (6,5%).
Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Julho/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Fonte:
IBGE PMC