Conjuntura Conjuntura e Comércio Varejista

Visão do Varejo

13/08/2009 

Agosto 2009 

O quadro do primeiro semestre e as perspectivas para a segunda metade de 2009 

Os dados divulgados hoje pelo IBGE para o varejo brasileiro permitem constatar dois fatos da maior importância para a economia brasileira. O primeiro deles diz respeito ao quadro que se desenhou para o varejo no primeiro semestre e o segundo é atinente ao quadro que está se abrindo para o setor no início desta segunda metade de 2009.

 

No primeiro semestre desse ano o volume de vendas do varejo aumentou 4,4%. Poucos setores da economia nacional contribuíram com crescimento semelhante para sustentação do nível de emprego e renda. Em parte esse desempenho decorreu de um esforço empreendido pelas empresas do setor para manter o crédito aos consumidores quando a disponibilidade de financiamento tornou-se mais difícil na economia brasileira. Também foi conseqüência de promoções e rebaixas de preços que o setor promoveu para incentivar suas vendas. Em segmentos específicos, foram muito importantes também as reduções e isenções de impostos que o governo promoveu como nos casos de automóveis, produtos da chamada linha branca e materiais de construção. Além desses fatores, a preservação da renda e do emprego e os programas de complementação de renda concorreram para preservar o poder de compra da população, o que ajudou a sustentar os volumes de vendas do comércio.

 

São dignos de registro os desempenhos na área de Hiper, supermercado, produtos alimentícios, bebidas e fumo, o segmento de maior peso na composição do varejo brasileiro. Sua evolução foi de 6,8% no primeiro semestre com relação ao mesmo período de 2008, performance esta que reflete a preservação da renda real da população. Com crescimentos ainda maiores, devem ser destacados os setores de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, com aumento de 16,7%; Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, +11,8%; Outros artigos de uso pessoal e doméstico, + 9,5%;Livros, jornais, revistas e papelaria, + 8,6%.

 

Não tiveram desempenho à altura dos segmentos citados acima o setor de Combustíveis e lubrificantes (+2,2%), além de Tecidos, vestuário e calçados e Móveis e eletrodomésticos que registraram declínio, no primeiro caso de -6,9% e no segundo de -2,3%. O maior revés dentre os setores do varejo ficou por conta de Material de construção, com declínio de vendas de nada menos do que 10,2%. Para Veículos e motos, partes e peças o crescimento chegou a 5,3%, contando com o grande estímulo da desoneração tributária sobre as vendas de veículos. De um modo geral, se pode afirmar que os setores mais dependentes de crédito sofreram mais as dificuldades causadas pelo agravamento da situação internacional desde o último trimestre do ano passado. Já os setores mais associados à renda real da população, como Hiper, supermercado, produtos alimentícios, bebidas e fumo, tiveram um desempenho mais regular e positivo.

 

É relevante constatar que o setor varejista não só teve um bom desempenho no conjunto do primeiro semestre do ano, como encerra esse período mostrando uma aceleração em seu crescimento. Observando as taxas de variação do volume de comércio com relação ao mês anterior, após os ajustes sazonais, constata-se que tem sido crescente o aumento da atividade real do setor nos últimos meses. Assim, se em abril com relação a março o volume de vendas do varejo caíra 0,2%, em março já mostrou variação positiva de 0,4%, ampliando esta evolução em junho quando o crescimento chegou a 1,7%.

 

Isso significa dizer que o setor inicia o segundo semestre desse ano apresentando uma tendência de aceleração em seu movimento, o que é um bom sinal no sentido de que sua taxa de crescimento nos seis meses finais de 2009 supere os 4,4% correspondente ao primeiro semestre. Sendo confirmada essa tendência o setor poderá em 2009 acumular um crescimento próximo a 6%.

 

Resultados Gerais.

Segundo dados divulgados pelo IBGE, o comércio varejista brasileiro cresceu em junho, frente a maio e com dados livres de efeitos sazonais, 1,7%, o segundo mês consecutivo de alta. Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), houve acréscimo de 5,6%. A elevação acumulada no primeiro semestre de 2009 frente mesmo período de 2008 chega a 4,4%. Já nos últimos 12 meses, a variação acumulada foi de 6,2%, resultado ligeiramente inferior ao de maio, quando assinalou crescimento de 6,4%.

 

Setores. A partir do indicador com ajuste sazonal, os destaques setoriais na passagem e maio para junho foram: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (15,6%), Veículos e motos, partes e peças (11,1%), Tecidos, vestuário e calçados (10,1%), Móveis e eletrodomésticos (3,3%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (2,7%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,9%). Por outro lado, os setores que representaram pressões negativas ao índice global foram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,1%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-0,7%), Material de construção (-1,9%) e Combustíveis e lubrificantes (-2,7%).

 

No confronto de junho de 2009/junho de 2008 das dez atividades, cinco apresentaram variações positivas: Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (22,3%), Veículos, motos, partes e peças (20,8%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (12,6%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (11,5%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (8,2%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (4,5%). Os ramos que registraram queda, por sua vez, foram: Tecidos, vestuário e calçados e Móveis e eletrodomésticos (ambos com queda de 1,0%), Combustíveis e lubrificantes (-1,5%) e Material de construção (-7,8%).

 

Na análise trimestral (segundo trimestre do ano de 2009 comparado com igual período de 2008), os segmentos que assinalaram alta foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (9,7%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (18,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (12,3%), Combustíveis e lubrificantes (1,3%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (11,3%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (3,7%). Os resultados negativos ficaram por conta de: Tecidos, vestuário e calçados (-7,1%) e Móveis e eletrodomésticos (-5,7%).

 

Na variação acumulada nos seis primeiros meses do ano o desempenho positivo foi generalizado, com quedas somente em três setores: Material de Construção (-10,2%), Tecidos, vestuário e calçados (-6,9%) e Móveis e eletrodomésticos (-2,3%).  Pressionando positivamente a taxa geral (4,4%) podemos destacar: Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (16,7%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (11,8%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,5%), Livros, jornais, revistas e papelaria (8,6%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (6,8%) e Veículos, motos, partes e peças (5,3%)

 

Regiões. Na relação junho/maio, 21 das 27 regiões contempladas pela pesquisa registraram acréscimo no volume de vendas, tendo destaque: Amapá (3,3%), Maranhão (3,0%), Rio de Janeiro (3,0%), Rio Grande do Sul (2,9%) e Sergipe (2,3%). Por outro lado, os estados a registrarem queda foram: Tocantins e Paraíba (ambos com -1,6%), Bahia (-1,2%), Espírito Santo (-1,0%), Rio Grande do Norte (-0,7%) e Mato Grosso do Sul (-0,4%). Em junho de 2009, frente mesmo mês do ano anterior, 24 das 27 regiões apresentaram elevação das vendas do comércio, que por ordem de contribuição foram: São Paulo (7,2%), Rio de Janeiro (4,2%), Paraná (6,3%), Minas Gerais (3,7%) e Bahia (7,0%). Os decréscimos vieram de: Espírito Santo (-2,5%), Tocantins (-2,2%) e Distrito Federal (-1,3%)

 

O primeiro semestre de 2009 contra mesmo período do ano anterior assinala também três resultados negativos: Espírito Santo (-3,5%), Distrito Federal (-2,2%) e Pará (-1,5%). Já as maiores variações foram observadas em: Roraima (15,8%), Sergipe (11,0%), Rondônia (10,2%), Piauí (9,4%), Ceará (8,9%) e São Paulo (6,2%).


 

Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Junho/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Fonte: IBGE PMC  

 

 

Quem é o IDV

O IDV é o Instituto para Desenvolvimento do Varejo e representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados). O Instituto tem atuação nacional e sua principal bandeira é contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, para o desenvolvimento do varejo ético e formal nacional .

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