Conjuntura Conjuntura e Comércio Varejista

Visão do Varejo

16/06/2009 

Junho 2009 

Um balanço do varejo no primeiro quadrimestre 

Os dados divulgados hoje pelo IBGE referentes ao comércio varejista brasileiro em abril indicam uma virtual estabilidade de desempenho se considerado o conceito mais restrito de varejo que inclui os segmentos de Alimentos e bebidas, Vestuário e calçados, Móveis e eletrodomésticos dentre outros setores, mas que não inclui o comércio de Veículos e motos e Material de construção. Segundo o IBGE, a variação real do varejo brasileiro com relação a março foi de -0,2%. Sendo considerados os segmentos de Veículos e motos e de Material de construção, formando o que o IBGE chama de "comércio varejista ampliado", a variação foi de -4%, devido a desempenhos muito negativos nesses dois casos, respectivamente, -5,6% e -3,5%.

Esses resultados evidenciam que o comércio varejista, salvo no caso de alguns segmentos como os já citados, mantém-se sem acusar retração significativa mesmo diante das adversidades causadas pela conjuntura internacional.  Com relação ao mesmo mês do ano de 2008, no conceito mais restrito o varejo teve um movimento em volume superior em 6,9%, apresentando taxa negativa de 0,8% no conceito mais amplo.

É oportuna uma avaliação setorial do desempenho do varejo nos primeiros quatro meses do ano. O segmento de Material de construção lidera a relação dos setores que mais regrediram: -11,4%. A seu favor, esse segmento conta com os potenciais efeitos de recentes medidas do governo que reduziram os impostos sobre Material de construção e incentivaram a construção de moradias. É possível que nos próximos meses o setor venha a refletir as medidas adotadas. No mês de abril, o comércio de Material de construção teve uma queda significativa com relação ao mesmo mês do ano passado, -15,8%, denotando as dificuldades ainda presentes no segmento.

Tecidos, vestuário e calçados é outro caso em que o primeiro quadrimestre de 2009 acumula uma queda expressiva, -7,5%. Apenas mais um segmento teve desempenho negativo, qual seja, Móveis e eletrodomésticos (-1,6%). Certamente esses índices adversos refletem as dificuldades quanto ao crédito que encareceu e tornou-se mais restrito e à maior parcimônia dos consumidores quanto aos seus gastos devido ao receio de queda de rendimento.

No outro extremo, há resultados bastante favoráveis. O segmento de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação teve variação positiva de 18,1% e percentuais também muito elevados foram verificados em Artigos farmacêuticos (12%), Livros, jornais, revistas e papelaria (9,4%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,3%) e Combustíveis e lubrificantes (3,2%). O setor de maior peso no varejo, vale dizer, Hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, teve variação de 6,5%, um índice que pode ser considerado como muito positivo.

Em suma, o varejo brasileiro em seu conceito mais restrito teve variação positiva nos primeiros quatro meses desse ano de 4,5% em volume. No caso do "varejo ampliado", devido aos problemas já mencionados nos segmentos de Veículos e motos e de Material de construção, a evolução foi menor, 2,5%. Assim, é possível concluir que o varejo nacional de fato sofreu o impacto de uma conjuntura externa e interna menos favorável, mas isso não se traduziu em taxas negativas de seu movimento real, mas sim em uma desaceleração de seu crescimento. Este fora em 2008 de 9,1%, tendo sido reduzido praticamente pela metade nos primeiros quatro meses desse ano.


Resultados Gerais. O volume de vendas do comércio varejista em abril, com dados já ajustados sazonalmente, recuou 0,2%, após o também recuo de 0,5% em março. No confronto com o mesmo mês de 2008, o volume de vendas apresentou elevação de 6,9%, bastante superior ao resultado do mês anterior para essa comparação (1,3%) devido ao deslocamento da Páscoa no corrente ano para abril. No acumulado no primeiro quadrimestre de 2009, frente mesmo período de 2008, verificou-se incremento de 4,5% do volume de vendas. A variação acumulada nos últimos 12 meses foi de 7,0%, taxa com tendência de declínio desde outubro de 2008, quando atingiu seu ponto máximo de 10,3%.


Setores. Na série ajustada sazonalmente, apenas duas das dez atividades pesquisadas assinalaram aumento do volume de vendas. Os destaques positivos foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,8%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (8,9%). Em sentido oposto os principais recuos vieram de Combustíveis e lubrificantes (-0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-1,7%), Móveis eletrodomésticos (-2,0%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,0%).

Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), houve apenas três recuos em fevereiro: Móveis e eletrodomésticos (-10,0%), Tecidos, vestuário e calçados (-9,8%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,4%). Já em sentido oposto, os principais avanços foram: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (27,0%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (14,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (13,8%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (11,3%).

No acumulado entre janeiro e abril de 2009, em comparação ao mesmo período de 2008, foram observados apenas dois resultados negativos: Tecidos e vestuário (-7,5%) e Móveis e eletrodomésticos (-1,6%). Já seguindo a taxa global de elevação de 4,5%, os destaques positivos foram: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (18,1%), Artigos farmacêuticos (12,0%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,3%).


Regiões. A partir dos dados de volume de vendas dessazonalizados, na comparação abril-09/ março-09, verificou-se que das 27 regiões contempladas pela pesquisa, 11 assinalaram variações negativas. As principais pressões negativas vieram de  Rondônia (-7,6%), Tocantins (-2,1%) e Santa Catarina (-2,1%). As regiões que apresentaram, na mesma comparação, variação positiva foram: Alagoas (3,4%), Roraima (3,0%), Sergipe (3,0%), Paraíba (2,4%) e Maranhão (2,3%).

O quarto mês de 2009, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, revela que das 27 regiões pesquisa apenas 5 apresentaram recuo. Os destaques positivos, por ordem de contribuição, foram: São Paulo (9,8%), Rio de Janeiro (5,4%), Paraná (8,9%), Minas Gerais (5,4%) e Santa Catarina (9,7%). Jás as maiores queda vieram de Tocantins (-2,0%), Acre (-1,9%) e Espírito Santo (-1,8%).

A variação acumulada no ano, frente mesmo período do ano passado, revelou 6 recuos, sendo os principais: Espírito Santo (-2,7%), Pará (-2,3%) e Distrito Federal (-2,1%). Já positivamente, as maiores taxas foram de Roraima (20,5%), Rondônia (14,8%) e Ceará (7,7%).

 


 

Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Abril/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Fonte: IBGE PMC  

 

 

Quem é o IDV

O IDV é o Instituto para Desenvolvimento do Varejo e representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados). O Instituto tem atuação nacional e sua principal bandeira é contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, para o desenvolvimento do varejo ético e formal nacional .

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