Um balanço do varejo no primeiro quadrimestre
Os dados divulgados hoje pelo IBGE referentes ao comércio varejista brasileiro em abril indicam uma virtual estabilidade de desempenho se considerado o conceito mais restrito de varejo que inclui os segmentos de Alimentos e bebidas, Vestuário e calçados, Móveis e eletrodomésticos dentre outros setores, mas que não inclui o comércio de Veículos e motos e Material de construção. Segundo o IBGE, a variação real do varejo brasileiro com relação a março foi de -0,2%. Sendo considerados os segmentos de Veículos e motos e de Material de construção, formando o que o IBGE chama de "comércio varejista ampliado", a variação foi de -4%, devido a desempenhos muito negativos nesses dois casos, respectivamente, -5,6% e -3,5%.
Esses resultados evidenciam que o comércio varejista, salvo no caso de alguns segmentos como os já citados, mantém-se sem acusar retração significativa mesmo diante das adversidades causadas pela conjuntura internacional. Com relação ao mesmo mês do ano de 2008, no conceito mais restrito o varejo teve um movimento em volume superior em 6,9%, apresentando taxa negativa de 0,8% no conceito mais amplo.
É oportuna uma avaliação setorial do desempenho do varejo nos primeiros quatro meses do ano. O segmento de Material de construção lidera a relação dos setores que mais regrediram: -11,4%. A seu favor, esse segmento conta com os potenciais efeitos de recentes medidas do governo que reduziram os impostos sobre Material de construção e incentivaram a construção de moradias. É possível que nos próximos meses o setor venha a refletir as medidas adotadas. No mês de abril, o comércio de Material de construção teve uma queda significativa com relação ao mesmo mês do ano passado, -15,8%, denotando as dificuldades ainda presentes no segmento.
Tecidos, vestuário e calçados é outro caso em que o primeiro quadrimestre de 2009 acumula uma queda expressiva, -7,5%. Apenas mais um segmento teve desempenho negativo, qual seja, Móveis e eletrodomésticos (-1,6%). Certamente esses índices adversos refletem as dificuldades quanto ao crédito que encareceu e tornou-se mais restrito e à maior parcimônia dos consumidores quanto aos seus gastos devido ao receio de queda de rendimento.
No outro extremo, há resultados bastante favoráveis. O segmento de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação teve variação positiva de 18,1% e percentuais também muito elevados foram verificados em Artigos farmacêuticos (12%), Livros, jornais, revistas e papelaria (9,4%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,3%) e Combustíveis e lubrificantes (3,2%). O setor de maior peso no varejo, vale dizer, Hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, teve variação de 6,5%, um índice que pode ser considerado como muito positivo.
Em suma, o varejo brasileiro em seu conceito mais restrito teve variação positiva nos primeiros quatro meses desse ano de 4,5% em volume. No caso do "varejo ampliado", devido aos problemas já mencionados nos segmentos de Veículos e motos e de Material de construção, a evolução foi menor, 2,5%. Assim, é possível concluir que o varejo nacional de fato sofreu o impacto de uma conjuntura externa e interna menos favorável, mas isso não se traduziu em taxas negativas de seu movimento real, mas sim em uma desaceleração de seu crescimento. Este fora em 2008 de 9,1%, tendo sido reduzido praticamente pela metade nos primeiros quatro meses desse ano.
Resultados Gerais. O volume de vendas do comércio varejista em abril, com dados já ajustados sazonalmente, recuou 0,2%, após o também recuo de 0,5% em março. No confronto com o mesmo mês de 2008, o volume de vendas apresentou elevação de 6,9%, bastante superior ao resultado do mês anterior para essa comparação (1,3%) devido ao deslocamento da Páscoa no corrente ano para abril. No acumulado no primeiro quadrimestre de 2009, frente mesmo período de 2008, verificou-se incremento de 4,5% do volume de vendas. A variação acumulada nos últimos 12 meses foi de 7,0%, taxa com tendência de declínio desde outubro de 2008, quando atingiu seu ponto máximo de 10,3%.
Setores. Na série ajustada sazonalmente, apenas duas das dez atividades pesquisadas assinalaram aumento do volume de vendas. Os destaques positivos foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,8%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (8,9%). Em sentido oposto os principais recuos vieram de Combustíveis e lubrificantes (-0,8%), Tecidos, vestuário e calçados (-1,7%), Móveis eletrodomésticos (-2,0%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-1,0%).
Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), houve apenas três recuos em fevereiro: Móveis e eletrodomésticos (-10,0%), Tecidos, vestuário e calçados (-9,8%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-1,4%). Já em sentido oposto, os principais avanços foram: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (27,0%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (14,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (13,8%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (11,3%).
No acumulado entre janeiro e abril de 2009, em comparação ao mesmo período de 2008, foram observados apenas dois resultados negativos: Tecidos e vestuário (-7,5%) e Móveis e eletrodomésticos (-1,6%). Já seguindo a taxa global de elevação de 4,5%, os destaques positivos foram: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (18,1%), Artigos farmacêuticos (12,0%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,3%).
Regiões. A partir dos dados de volume de vendas dessazonalizados, na comparação abril-09/ março-09, verificou-se que das 27 regiões contempladas pela pesquisa, 11 assinalaram variações negativas. As principais pressões negativas vieram de Rondônia (-7,6%), Tocantins (-2,1%) e Santa Catarina (-2,1%). As regiões que apresentaram, na mesma comparação, variação positiva foram: Alagoas (3,4%), Roraima (3,0%), Sergipe (3,0%), Paraíba (2,4%) e Maranhão (2,3%).
O quarto mês de 2009, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, revela que das 27 regiões pesquisa apenas 5 apresentaram recuo. Os destaques positivos, por ordem de contribuição, foram: São Paulo (9,8%), Rio de Janeiro (5,4%), Paraná (8,9%), Minas Gerais (5,4%) e Santa Catarina (9,7%). Jás as maiores queda vieram de Tocantins (-2,0%), Acre (-1,9%) e Espírito Santo (-1,8%).
A variação acumulada no ano, frente mesmo período do ano passado, revelou 6 recuos, sendo os principais: Espírito Santo (-2,7%), Pará (-2,3%) e Distrito Federal (-2,1%). Já positivamente, as maiores taxas foram de Roraima (20,5%), Rondônia (14,8%) e Ceará (7,7%).
Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Abril/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

Fonte:
IBGE PMC