Conjuntura Conjuntura e Comércio Varejista

Visão do Varejo

14/05/2009 

Maio 2009 

Setor cresce 1,8% em março e continua com desempenho positivo 

O volume do comércio varejista brasileiro teve aumento de 0,3% entre fevereiro e março, já descontados os efeitos sazonais. Na comparação com março do ano passado, o volume de vendas aumentou 1,8%. Esses resultados foram divulgados hoje pelo IBGE. Esta instituição adota também um conceito de "comércio varejista ampliado" no qual são considerados os segmentos do varejo de Veículos e motos, partes e peças e Material de construção. Por este conceito, o aumento de vendas reais foi de 2% na comparação de março último com fevereiro e de 6,5% entre março deste ano e o mesmo mês do ano passado.

O varejo "ampliado", portanto, teve um desempenho superior, em função de um grande crescimento da atividade no setor de Veículos e motos, partes e peças, onde a variação de vendas reais em março frente a março do ano passado chegou a 17,1%. Como se sabe, um incentivo fiscal, consistindo em redução do imposto sobre as vendas de veículos, teve destacada relevância para explicar este resultado. É digno também de destaque o desempenho do setor de Material de construção. Nos dois meses anteriores vinha declinando expressivamente seu volume de vendas, na faixa de -12,5% em janeiro e -12,3% em fevereiro com relação a esses mesmos meses do ano passado. Em março desse ano relativamente a março de 2008, o segmento voltou a acusar resultado negativo, porém, em escala bem menor do que anteriormente: -4,1%. É de se esperar que o setor volte a acusar uma melhora relativa devido à redução de impostos que o governo está promovendo sobre os produtos de material de construção.

No varejo em seu conceito mais restrito, cabe ressaltar que o mês de março registrou um desempenho relativo inferior ao do mês de fevereiro. Neste último, a evolução das vendas em termos reais fora de 3,8% com relação ao mesmo mês do ano passado, percentual este que se reduziu para 1,8% em março. Em grande medida, para esse mais baixo crescimento foi decisivo um fator pontual que afetou o desempenho do segmento de Hipermercados, Supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Seu crescimento em março de apenas 0,7% com relação a março do ano passado refletiu o fato de que a Páscoa em 2008 ocorrera no mês de março, ao passo que no corrente ano ocorreu no mês de abril. Isso levou a uma queda relativa da atividade, o que deve explica pelo menos parcialmente a queda de desempenho. Esse segmento nos meses de janeiro e fevereiro crescera em volume, respectivamente, 7% e 5,7%, desacelerando expressivamente para o já mencionado percentual de 0,7% em março.

Ainda que seja difícil isolar os efeitos extras ocorridos no mês de março no varejo nacional, é possível que o setor de fato tenha tido uma desaceleração em seu ritmo de crescimento, motivo para que as autoridades aprofundem as ações para facilitar e baratear o crédito ao consumidor no país. Setores onde as vendas dependem mais fortemente do crédito, como Móveis e eletrodomésticos, há dois meses apresentam desempenho negativo: -0,5% em março e -2,1% em fevereiro, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. É preciso ainda uma atenção mais especial para com as empresas do comércio, que mais do que outros setores, vêm sofrendo com a restrição e o encarecimento do crédito empresarial, o que limita a condição dessas empresas em estenderem para sua clientela o crédito em condições razoáveis.

Outros resultados

Resultados Gerais. O volume de vendas do comércio varejista em março, com dados já ajustados sazonalmente, cresceu 0,3%, após a alta de 1,5% em fevereiro e 1,9% em janeiro. No confronto com o mesmo mês de 2008, o volume de vendas apresentou elevação de 1,8%, a menor desde novembro de 2003 (-0,2%). No acumulado no primeiro trimestre de 2009, frente mesmo período do ano anterior, a variação das vendas varejistas foi de 3,8%. A variação acumulada nos últimos 12 meses foi de 7,2%, taxa com tendência de declínio desde outubro de 2008, quando atingiu seu ponto máximo de 10,3%.

Setores. Na série ajustada sazonalmente, oito das dez atividades pesquisadas assinalaram aumento do volume de vendas. Os principais destaques positivos foram: Veículos e motos, partes e peças (3,9%), Material de construção (3,0%), Tecidos, vestuário e calçados (1,9%), Livros, jornais, revistas e papelaria (1,9%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,4%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (1,4%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,1%) e Combustíveis e lubrificantes (0,9%). O setor de Hipermercados e produtos alimentícios não apresentou variação, enquanto que Móveis e eletrodomésticos assinalou recuo de 2,2%.

Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), houve apenas dois recuos em fevereiro: Móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e Tecidos, vestuário e calçados (-8,2%). As principais pressões positivas, por ordem de contribuição, foram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (15,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (5,0%), Combustíveis e lubrificantes (4,2%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,7%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (18,0%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (10,5%).

No acumulado no primeiro trimestre de 2009, em comparação ao mesmo período de 2008, foi observado apenas um resultado negativo no varejo - Tecidos e vestuário (-6,6%) e também no setor de Construção Civil do comércio varejista ampliado, na ordem de 9,8%. Já os destaques positivos foram: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (15,0%), Livros, jornais, revistas e papelaria (12,3%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (12,1%).

Regiões. A partir dos dados de volume de vendas já descontados os efeitos da sazonalidade, na comparação março-09/ fevereiro-09, verificou-se que das 27 regiões contempladas pela pesquisa, 9 assinalaram variações negativas. As principais pressões negativas vieram de  Maranhão (-6,7%), Acre (-3,0%) e Espírito Santo (-1,4%). Foram positivos os casos de Roraima (3,7%), Ceará (3,1%) e Goiás (2,5%).

O terceiro mês de 2009, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, revela que das 27 regiões pesquisa apenas 8 apresentaram diminuição das vendas do varejo. Os destaques negativos foram: Espírito Santo (-7,8%), Distrito Federal (-4,6%), Acre (-2,5%) e Paraná (-1,0%). Já as influências positivas, por ordem de contribuição, vieram de São Paulo (2,3%), Rio de Janeiro (4,1%), Ceará (12,0%), Minas Gerais (1,5%) e Santa Catarina (2,6%).

A variação acumulada no ano, frente ao mesmo período do ano passado, revelou 5 recuos, sendo os principais: Espírito Santo (-2,9%) e Pará (-2,9%). Dentre as demais regiões, as maiores taxas de crescimento vieram de Roraima (19,4%), Rondônia (15,8%), Sergipe (9,6%) e Ceará (8,1%).

 


 

Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Março/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Fonte: IBGE - PMC  

 

 

Quem é o IDV

O IDV é o Instituto para Desenvolvimento do Varejo e representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados). O Instituto tem atuação nacional e sua principal bandeira é contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, para o desenvolvimento do varejo ético e formal nacional .

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