Conjuntura Conjuntura e Comércio Varejista

Visão do Varejo

16/04/2009 

Abril 2009 

Varejo cresce em fevereiro, porém em ritmo moderado 

Segundo dados divulgados hoje pelo IBGE, o volume de vendas do comércio varejista em fevereiro cresceu 1,5%, após a alta de 1,8% em janeiro, segundo os dados já ajustados sazonalmente. Como cabe sublinhar, nos três meses anteriores (outubro a dezembro de 2008), o setor registrara seguidas quedas, da ordem de 1% em outubro, novamente 1% em novembro e 0,5% em dezembro de 2008. Apesar dos setores mais dependentes de crédito ainda mostrarem sinais de retração, os últimos resultados mostram uma retomada parcial.Em relação ao mesmo mês de 2008, o volume de vendas cresceu 3,8%. No acumulado no primeiro bimestre de 2008, frente ao mesmo período do ano anterior, a variação das vendas reais se mantém em um nível razoável, com 4,9% de variação, embora inferior ao verificado nos dois primeiros meses de 2008 (12,3%). A variação acumulada nos últimos 12 meses foi de 8,0%.

É possível identificar duas ordens de fatores que influenciaram o bom desempenho do setor varejista nos meses de janeiro e fevereiro do corrente ano. Em primeiro lugar, os fatores de ordem microeconômica. As empresas varejistas, mesmo tendo sofrido uma forte retração do crédito e aumento de seu custo (fenômenos esses que afetaram o setor do varejo bem mais do que outros setores da economia, diga-se de passagem) procuraram preservar o crédito que vinham concedendo aos seus consumidores e ampliaram promoções no período mais crítico de retração do nível de atividades na economia brasileira.

Esses fatores foram importantes seja para conter e delimitar a queda que se observava em certos ramos do comércio, caso, especialmente, dos segmentos cujas vendas mais dependem do crédito, seja para impulsionar as vendas reais em setores como o comércio de alimentos e bebidas, setor este que vem sendo o carro chefe da recuperação do varejo no país. Em suma, as empresas do setor procuraram minimizar para o comprador de bens os efeitos adversos da crise internacional sobre a economia do país.

Do ponto de vista macroeconômico, a sustentação do rendimento real da população permitiu que o mercado interno consumidor mantivesse um nível relativamente elevado, mesmo diante de uma redução do emprego observada nos meses finais de 2008 até janeiro de 2009. Mas, segundo os dados do IBGE e do Ministério do Trabalho (CAGED), em fevereiro e março, este processo foi contido, de forma que a massa real de rendimentos da economia foi preservada. Isto assegurou um razoável dinamismo do poder de compra do consumidor o que favoreceu o crescimento das vendas reais principalmente em setores voltados ao consumo básico da população. 

Do ponto de vista macroeconômico, as vendas reais do varejo poderiam ser muito favorecidas e o setor como um todo poderia ser altamente beneficiado em seu recente processo de reativação, se a escassez e o elevado custo do crédito que prevalecem no país fossem amenizados através de políticas mais efetivas para aumentar a oferta de crédito e reduzir as taxas de juros cobradas pelas instituições financiadoras nas operações com as empresas comerciais e com os consumidores.

Outros resultados

Setores. Sete das dez atividades pesquisadas pelo IBGE assinalaram aumento do volume de vendas na série ajustada sazonalmente. Os principais destaques positivos foram: Veículos e motos, partes e peças (4,6%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (4,3%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (4,0%), Material de construção (3,8%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,9%), Combustíveis e lubrificantes (2,7%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,9%). Em sentido oposto atuaram: Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (1,9%), Tecidos, vestuário e calçados (-1,1%), Móveis e eletrodomésticos (-1,2%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (-9,1%).

Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), houve apenas dois recuos em fevereiro: Móveis e eletrodomésticos (- 2,1%) e Tecidos, vestuário e calçados (- 6,9%). As principais pressões positivas, por ordem de contribuição, foram: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (5,6%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (10,5%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (12,0%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (11,3%), Combustíveis e lubrificantes (0,5%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (1,9%).

No acumulado entre janeiro e fevereiro em comparação ao mesmo período de 2008, foi observado apenas um resultado negativo: Tecidos e vestuário (-5,7%). Foram verificados recuos também nos setores do comércio varejista ampliado - Veículos, motos, partes e peças (-0,1) e Material de construção (-12,6%). Já os destaques positivos foram: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (13,3%), Livros, jornais, revistas e papelaria (13,1%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (10,4%).

Regiões. A partir dos dados de volume de vendas dessazonalizados, na comparação fevereiro-09/ janeiro-09, verificou-se que das 27 regiões contempladas pela pesquisa, 9 assinalaram variações negativas. As principais pressões negativas vieram de: Mato Grosso do Sul (-8,3), Acre (-4,3) e Sergipe (-3,8%). Positivamente, atuaram: Piauí (4,0%) e São Paulo (2,0%).

O segundo mês de 2009, quando comparado ao mesmo mês do ano passado, revela que das 27 regiões pesquisa apenas 6 apresentaram recuo. Os destaques positivos, por ordem de contribuição, foram: São Paulo (5,9%), Rio de Janeiro (6,4%), Paraná (3,3%), Bahia (4,0%) e Santa Catarina (3,6%). Já os recuos vieram de Rio Grande do Sul (-2,8%), Distrito Federal (-2,5%), Espírito Santo (-2,4%), Tocantins (-1,7%), Goiás (-0,8%) e Paraíba (-0,8%).

A variação acumulada no ano, frente mesmo período do ano passado, revelou 7 recuos, sendo os principais: Paraíba (-4,1%) e Pará (-3,9%). Dentre as demais regiões, as maiores taxas de crescimento vieram de Roraima (17,8%), Rondônia (17,7% e Sergipe (10,3%).


 

Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Fevereiro/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Fonte: IBGE PMC  

 

 

Quem é o IDV

O IDV é o Instituto para Desenvolvimento do Varejo e representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados). O Instituto tem atuação nacional e sua principal bandeira é contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, para o desenvolvimento do varejo ético e formal nacional .

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