Conjuntura Conjuntura e Comércio Varejista

Visão do Varejo

13/03/2009 

Março 2009 

Apesar da desaceleração recente, comércio varejista não deixa de crescer em janeiro 

Segundo pesquisa divulgada hoje pelo IBGE, o crescimento do setor varejista foi de 1,4% com relação a dezembro de 2008, descontados os efeitos sazonais. Tal aumento praticamente compensou as quedas registradas nos dois meses anteriores, de 1,1% em novembro e 0,4% em dezembro. Outro resultado que reflete uma recuperação do setor é o crescimento de 6% no volume de vendas em janeiro com relação a janeiro do ano passado. Os dois meses anteriores, na mesma base de comparação, vinham registrando taxas cadentes, o que denotava uma desaceleração interrompida com o crescimento de janeiro. Em novembro a variação sobre igual mês do ano anterior havia sido de 5,1% e de 3,8% em dezembro.

Convém identificar os segmentos mais responsáveis pela recuperação das vendas do varejo. O desempenho em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo continuou positivo em janeiro como nos dois meses anteriores. Frente a dezembro de 2008, o avanço foi de 0,3%, o que permitiu a esse segmento apurar uma variação expressiva na comparação com janeiro do ano passado, ou seja, 7%. Cabe notar que no mês anterior essa variação havia sido muito menor, 3,4%.  Importante para o melhor índice de janeiro para o varejo brasileiro como um todo foi também o desempenho de Tecidos vestuário e calçados, com crescimento de 2,2% com relação a dezembro de 2008, superior aos 0,9% do mês anterior. É ainda negativo o resultado da atividade desse segmento frente ao mesmo mês do ano passado, -4,7%, mas, como cabe notar, esse resultado havia sido muito pior nos meses anteriores, como em novembro (-8,7%) e dezembro (-6,5%).

Móveis e eletrodomésticos com variação sobre dezembro de +7,1% e de +6,3% sobre janeiro de 2008, e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (que inclui lojas de departamento) com aumento de +5,8% com relação a dezembro e +5% comparativamente a janeiro do ano passado, são dois outros segmentos que acusaram significativas recuperações após os dois meses anteriores de retrações muito intensas.

O desempenho favorável em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo reflete a preservação relativa do emprego e da renda da população brasileira a despeito das dificuldades econômicas derivadas da situação adversa da economia mundial. Nos demais casos, as promoções realizadas pelo varejo organizado e os esforços desse setor em manter linhas e prazos dos financiamentos para a clientela, foram decisivos para os melhores resultados.

Uma observação acerca dos segmentos que compõem o que o IBGE denomina "comércio varejista ampliado". O varejo de Veículos e motos, partes e peças prosseguiu em janeiro com uma reativação significativa iniciada em dezembro após muito acentuadas quedas nos meses de outubro e novembro. Em janeiro com relação ao mês anterior, o aumento (+11,1%) foi ainda maior do que a variação registrada em dezembro de 2008 (+4,2%). A redução de impostos sobre veículos colaborou de forma destacada para a melhora das vendas. No entanto, o setor de Material de construção ainda vem registrando índices negativos: queda de 2,8% frente a dezembro do ano passado (-5,9% em dezembro e -2,7% em novembro) e retração de 12,5% com relação a janeiro de 2008. A expectativa é que o programa de estímulo para o setor habitacional que o governo deverá anunciar proximamente ajude a reverter esse quadro de queda de vendas e reposicione o varejo desse segmento na trajetória de crescimento.

 

Outros resultados

Resultados Gerais. Após um trimestre de taxas negativas, em janeiro, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro atingiu crescimento de 1,4% com relação ao mês imediatamente anterior, na série com ajuste sazonal. Esta foi a maior variação nesta comparação desde março do ano anterior, quando avançou 1,5%. Frente ao mesmo mês do ano anterior, as vendas no varejo ampliaram-se em 6,0%, resultado superior aos dois meses anteriores (novembro, com crescimento de 5,1% e dezembro, de 3,8%). Nos últimos 12 meses frente a igual período imediatamente anterior, o crescimento do volume de vendas foi de 8,7%, assinalando desaceleração iniciada em novembro do ano passado.

Setores. Na passagem dezembro de 2008/ janeiro de 2009, todos os setores com séries dessazonalizadas apresentaram avanço das vendas no varejo, com exceção de Combustíveis e lubrificantes (-0,7%) e Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-12,5%). As atividades que apresentaram crescimento foram em ordem de magnitude: Livros, jornais, revistas e papelaria (7,6%), Móveis e eletrodomésticos (7,1%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (5,8%), Tecidos, vestuário e calçados (2,2%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,8%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,3%). Em relação ao comércio varejista ampliado, o aumento de 4,4% deveu-se principalmente a setor de Veículos e motos, partes e peças (11,1%), já que Material de Construção obteve queda de 2,8%.

Na comparação mensal (mês/ mesmo mês do ano anterior), o comércio varejista acusou resultado negativo no volume de vendas apenas do setor de Tecidos, vestuário e calçados, com variação de -4,7%, devido a um aumento dos preços nos últimos meses. As demais variações, por ordem de importância no resultado global, foram de: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (7,0%), Móveis e eletrodomésticos (6,3%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (15,4%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (8,9%), Combustíveis e lubrificantes (3,8%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (5,0%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (23,9%). Estes segmentos foram afetados positivamente pelo aumento da massa de salários em janeiro, possibilitando um crescimento do poder de compra da população. O Comércio varejista ampliado assinalou aumento de apenas 2,8%, graças às quedas de Material de Construção (-12,5%) e Veículos e motos, partes e peças (-0,3%), reflexo das restrições do crédito e prazos de financiamento, assim como a deterioração das expectativas do consumidor em relação a economia.

Regiões. Das 27 Unidades da Federação, o volume das vendas varejistas cresceu em 24 estados na comparação com o mês anterior, na série com ajuste sazonal. As maiores variações positivas estiveram na Maranhão (12,1%), Sergipe (8,2%), Roraima (7,3%), Mato Grosso do Sul (6,6%), Rondônia e Amazonas (ambos com crescimento de 6,5%), Rio de Janeiro (6,2%), Acre (6,1%) e Pernambuco (6,0%). Ainda acima da média nacional (1,4%), ficaram: Pará e Alagoas (5,6%), Amapá (4,3%), Mato Grosso (3,4%), Rio Grande do Sul (3,2%), Distrito Federal (2,7%), Espírito Santo (2,4%), Ceará (2,3%), Minas Gerais (2,0%), e Rio Grande do Norte (1,7%). Do lado oposto, as quedas foram observadas no Tocantins (-1,0%), Bahia (-0,5%) e Piauí (-0,3%).

Em relação a janeiro do ano anterior, três estados registraram recuo das vendas varejistas: Distrito Federal (-0,3%), Paraíba (-6,8%) e Pará (-7,8%). As maiores variações, por sua vez, estiveram em Rondônia (24,1%), Roraima (17,0%), Mato Grosso do Sul (12,8%) e Sergipe (12,5%). Quanto à participação na composição da taxa do Comércio Varejista, destacaram-se: São Paulo (8,7%), Rio de Janeiro (7,8%), Minas Gerais (5,0%), Santa Catarina (6,8%) e Paraná (4,8%).

 


 

Volume de Vendas do Comércio Varejista segundo Grupos de Atividades (em %)

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo -
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Índice de Volume de Vendas no Varejo - Janeiro/2009
Variação com Relação ao Mesmo Mês Ano Anterior - %

 

Fonte: IBGE  

 

 

Quem é o IDV

O IDV é o Instituto para Desenvolvimento do Varejo e representa empresas varejistas de diferentes setores (alimentos, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados). O Instituto tem atuação nacional e sua principal bandeira é contribuir para o crescimento sustentável da economia brasileira, para o desenvolvimento do varejo ético e formal nacional .

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