Um perigo ronda o Brasil

05/11/2017

Confira o artigo do vice-presidente do IDV, Flávio Rocha, publicado no último domingo (05/11), no jornal Tribuna do Norte.

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Nesta terça-feira, a Revolução Russa faz cem anos. Os comunistas a comemoraram em 25 de outubro, data oficial do golpe bolchevique, segundo o calendário juliano, que a antiga Rússia czarista ainda usava na época. Pelo calendário ocidental gregoriano, no entanto, o centenário se dá em 7 de novembro.

Claro que não há o que comemorar — a não ser, talvez, o fato de seu retumbante fracasso ter enterrado, quero crer que para sempre, tal aventura totalitária, a mais perversa de todas, pois revestida de supostos ideais humanistas.

Mas não vou me estender sobre os inúmeros vícios do regime comunista. Quase três décadas após a queda do Muro de Berlim, seria redundante elencar as mazelas da autodefinida ditatura do proletariado.

Se aproveito a efeméride, é apenas para alertar sobre a nova estratégia comunista de tomada do poder. Embora o regime tenha se esfacelado, não faltam comunistas tentando juntar os cacos da mais sangrenta experiência política já engendrada pela humanidade.

A Revolução Bolchevique foi pioneira ao colocar em prática um método violento, direto, efetivo de conquistar o governo. Por intermédio de uma elite dirigente agindo como ponta de lança, os comunistas lançaram um movimento que, usando inclusive o terror, ditou os rumos da União Soviética pelas décadas seguintes, até o regime ruir sob o peso de sua ineficiência, injustiça e isolamento mundial.

Mas não devemos incorrer no erro de subestimar os inimigos. Os comunistas aprenderam a como não fazer uma revolução. Hoje em dia, sabem melhor do que ninguém que está ultrapassado o conceito de uma vanguarda partidária que age em nome do povo.

O movimento comunista se adequou aos novos tempos. Em vez de impor pela força seus desígnios maléficos, passou a construir um caminho sinuoso, mas que leva ao mesmo objetivo.

A verdade é que, ao contrário de seus precursores do início do século passado, que enfrentavam o império czarista de peito aberto, os comunistas atuais são ardilosos. Aprenderam com o filósofo italiano Antonio Gramsci (1891-1937) a combater o capitalismo não de frente, mas pelos seus flancos mais sensíveis.

Partem do princípio que os valores do regime estão protegidos em trincheiras burguesas, e que, portanto, precisam ser neutralizadas. Que trincheiras seriam essas? A do Judiciário e das Forças Armadas; a dos partidos políticos considerados conservadores; a da polícia em geral; a da Igreja, certamente. E, por último mas não menos importante, a trincheira da família.

Já notei em outro espaço que recentemente assistimos, no Brasil, a mais um capítulo dessa revolução dissimulada, que é tão subliminar quanto insidiosa. Referia-me a duas exposições de arte que estiveram no centro das atenções da mídia ao promoverem o contato de crianças com quadros eróticos e a exibição de um corpo nu.

Não vou discutir eventuais méritos artísticos. Não vou também fazer a crítica moral. Quem me conhece sabe que meu respeito pela diversidade não se resume a palavras: a Riachuelo é a empresa que, proporcionalmente, mais emprega transgêneros no país e a primeira a permitir que as pessoas sejam identificadas, no crachá, pelo nome social que escolheram.

A questão não é artística nem moral. A questão é que iniciativas como essas fazem parte de um plano urdido nas esferas mais sofisticadas do esquerdismo e representam uma ameaça que é tão mais real quanto elusiva.

Cito as duas exposições apenas como exemplos de um método. Há muitos outros, como a associação entre capitalismo e picaretagem em novelas de grande audiência, ou a glorificação da bandidagem, ou ainda a vitimização do lumpesinato das cracolândias e adjacências. Há também certo discurso politicamente correto nas escolas e nas universidades que integra essa estratégia no campo de educação.

No fundo, esses são todos tópicos da cartilha que visa à hegemonia cultural como meio de chegar ao comunismo. Em comparação, os bolcheviques de cem anos atrás parecem ingênuos.

À maioria absoluta dos brasileiros, que não compactua com ditaduras de qualquer cor, resta enfrentar com determinação essa minoria nociva à sociedade.

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Publicação: 2017-11-05 / Tribuna do Norte

Um perigo ronda o Brasil

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